Frente pró-cotas critica projeto das estaduais

Ativistas do movimento negro dizem que o projeto de criação de cotas na USP, Unesp e Unicamp será contestado na Justiça se parte dos cotistas for obrigada a fazer um curso de formação geral antes do ingresso na universidade.

O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2012 | 02h01

Revelado pelo Estado, o plano foi elaborado pelos reitores a pedido do governador Geraldo Alckmin, como reação à Lei de Cotas federal. A ideia é reservar 50% das vagas para quem cursou todo o ensino médio em escolas públicas. Dessas, metade será para alunos com renda familiar até 1,5 salário mínimo por pessoa; e 35% para pretos, pardos e índios. O restante vai para os demais egressos da rede pública, independentemente da renda.

A estimativa é de que 40% dos cotistas farão um curso a distância de dois anos da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Eles garantiriam vaga na USP, Unesp ou Unicamp caso atingissem uma média ainda a ser definida pelas instituições.

Para o advogado Silvio Luiz de Almeida, ligado à Frente Estadual Pró-Cotas, mandar parte dos cotistas para o curso semipresencial é inconstitucional. "O governo fará uma discriminação negativa, tornando mais cruel a situação de uma minoria", diz. "Se o projeto for aprovado, os movimentos sociais vão aos tribunais."

A frente, que congrega cerca de 70 entidades, lançou ontem um manifesto contra o plano. Os militantes querem a entrada direta dos cotistas nas universidades, "sem etapas intermediárias", e que a reserva de cadeiras pelo critério étnico incida sobre 100% das vagas. / CARLOS LORDELO

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