Frescor que vem do vale

Chegamos ao fim da série sobre os muito bons vinhos originários da Sauvignon Blanc no Chile. Como já disse, essa sucessão de matérias não foi planejada. Ao selecionarmos os brancos de boa relação qualidade-preço -até R$ 60 - ideais para o verão, nos deparamos com um grande número de produtos, muitos dos quais mereciam chegar aos leitores. Nisso acertamos, pois encontramos vinhos mais do que atraentes, principalmente se levarmos em consideração seus preços. Dividimos a saga da Sauvignon em quatro colunas: duas sobre vinhos até R$ 30 e duas sobre os que chegam a R$ 60, separando os feitos nos Valles de Casblanca e San Antonio-Leyda dos que vieram do Valle Central. A vinicultura chilena tradicional está centralizada nos Valles de Aconcagua e Central, que é dividido em vários vales, nomeados de norte a sul: Maipo, Rapel - subdividido nos Valles de Cachapoal e Colchagua -, Curicó e Maule. Quanto mais ao sul, clima mais frio e chuvoso, mas é quase sempre necessária irrigação com água que desce dos Andes. Foi em Curicó, em 1979, que o espanhol Miguel Torres fez o primeiro Sauvignon Blanc moderno, encantando os chilenos com máquinas e instrumentos como cubas de aço inoxidável, sistemas de controle de temperatura da fermentação, o que proporciona vinhos mais aromáticos, e outras técnicas. O seu Santa Digna Sauvignon Blanc, leve, aromático, revolucionou o vinho chileno. Na época, a Sauvignon e a Sémillon eram as brancas principais, mas seus vinhos não se destacavam tanto. Na década de 1990, a Chardonnay ganhou espaço e, ao mesmo tempo, a Sauvignon passou a gerar vinhos de qualidade. Atualmente, algumas vinícolas de porte estão apostando na Región del Sur, além de Maule, uma área fria e mais chuvosa. Em geral, produzem vinhos brancos e de uvas que gostam de temperaturas baixas. Uma conclusão da série de provas: os produtos dos Valles de Casablanca e San-Antonio-Bio-Bio, na média, agradaram mais. Essas regiões frias se desenvolveram de 1980 para cá. CASA LA JOYA SAUVIGNON BLANC 2007 ONDE ENCONTRAR: WORLD WINE, R. PADRE JOÃO MANUEL, 1269 - 3085-3055 PREÇO: R$ 33 COTAÇÃO: 87/100 A Viña Bisquertt tem vinhedos muito bem cuidados em Colchagua, no Valle de Rapel, de onde vem este branco fresco e gostoso, de acordo com a definição. Branco com bela cor, típica da uva, clarinha, mas com toques esverdeados. Aroma realmente muito bom e típico. Fácil de reconhecer a uva Sauvignon Blanc, com muitas frutas tropicais e o animal toque característico que muitos associam ao cheiro de ''''xixi de gato''''. Quem tem gato em casa conhece o aroma. Um elogio. Também notas cítricas, principalmente na boca, onde a acidez se destaca, talvez um pouco demais. Para quem gosta de brancos bem secos e ácidos para o aperitivo ou para a mesa. Bem característico na boca. Não encorpado, como se espera, e com boa concentração de sabor. Não dos mais longos, mas deixa a boca limpa. 13,5% de álcool. LOS VASCOS SAUVIGNON BLANC 2007 ONDE ENCONTRAR: TELEVENDAS AURORA, 0800-7711-700 PREÇO: R$ 41 COTAÇÃO: 90/100 Um dos melhores da série de degustações. A vinícola é fruto de uma associação do Domaine Rothschild (leia-se Lafite-Rothschild) com Ricardo Claro, do grupo vinícola Santa Rita. Vinhedos em Peralillo, no Valle de Colchagua, e nível técnico exemplar. O rótulo não especifica a região, mas o Guia de Vinos de Chile, que elegeu o exemplar de 2006 o melhor Sauvignon do país, diz que ele é de Casablanca. Tem sido notável a evolução dos vinhos da Los Vascos. Este é um branco gostoso, fácil de beber, estimulante do começo ao fim. Cor bonita, esverdeada. Aroma intenso e complexo, bem fresco, com algo de maracujá, mas principalmente cítrico. Na boca, refrescante, com boa concentração e também algo de mel. Álcool bem comportado. Final muito atraente, com mais notas cítricas. 13% de álcool. CASA LAPOSTOLLE SAUVIGNON BLANC 2006 ONDE ENCONTRAR: MISTRAL, R. ROCHA, 288, 3372-3400 PREÇO R$ 41,83 COTAÇÃO 84/100 A Casa Lapostolle pertence ao grupo francês que faz o licor Grand Marnier e investiu numa vinícola exemplar no Valle de Rapel. Seus vinhos são elaborados pelo grande e mais do que badalado enólogo Michel Rolland, que se destaca principalmente por seus tintos. Este é um vinho fresco, correto, sem exclamações de entusiasmo ou de decepção. Um vinho correto, que se deixa beber, mas não é dos mais típicos. Aroma pouco intenso. Foi preciso atenção e um pouco de tempo para perceber um arominha gostoso, mas pouco típico. Difícil identificar a Sauvignon Blanc. No mesmo diapasão na boca, sem grandes destaques. Melhorou com o tempo no copo. Acidez estimulante, mas um pouco alcoólico demais para bebericar. Toque ligeiro de amargor ao final. 14,5% de álcool. VIÑA BISQUERTT LA JOYA RESERVE S.BLANC 2006 ONDE ENCONTRAR: WORLD WINE. R. PADRE JOÃO MANUEL, 1269 - 3085-3055 PREÇO: R$ 48 COTAÇÃO: 86/100 Mais um dessa boa vinícola com seus vinhedos em Colchagua. Da linha superior da vinícola - La Joiya Reserve. Também agradou bastante, principalmente pelo aroma, mas caiu um pouquinho na boca. Talvez um ano a mais tenha feito alguma diferença. Está pronto para o copo e não vai ganhar nada com mais tempo na garrafa. A Sauvignon Blanc do Chile pede para ser provada rapidamente. Cor clara, com os aspectos esverdeados visíveis. Aroma intenso, ótimo, como as frutas tropicais esperadas e também algo mineral. Um aroma menos exuberante que o de seu irmão mais novo, mas complexo e de classe. Na boca, agradável, típico, com mais notas cítricas, mas não tão concentrado. Um vinho bem leve. Gostoso, mas pouco intenso. Bom final de boca. 13% de álcool.

O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2008 | 03h33

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Saul Galvão Tintos & Brancos

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