Fritzl atribui abusos contra filha a 'vício', diz revista

Advogado afirma a publicação que austríaco sabia estar errado, mas 'perdeu controle'.

Da BBC Brasil, BBC

09 de maio de 2008 | 07h40

Josef Fritzl, o austríaco que admitiu ter mantido a filha em um porão durante 24 anos, disse ter sido motivado por um vício que "saiu fora de controle", segundo declarações de seu advogado, Rudolf Mayer, à revista austríaca News.Em conversa com Mayer, Fritzl teria admitido mais uma vez ter estuprado a filha repetidamente."Eu sabia que Elisabeth não queria que eu fizesse o que eu fiz com ela. Eu sabia que a estava machucando. Era como um vício. Na realidade, eu queria ter filhos com ela", disse Fritzl, de acordo com a descrição de Mayer à revista."Eu sabia o tempo todo que o que eu estava fazendo não era certo, que eu devia ser louco por fazer tal coisa", teria dito o austríaco, segundo a publicação. "Mas, apesar disso, tornou-se uma realidade para mim ter essa segunda vida que eu vivia dentro do porão."Mayer conta ainda que Fritzl disse ter encarcerado Elisabeth, em 1984, para protegê-la do mundo exterior, como uma forma de controlar o comportamento da filha, depois que "ela quebrou todas as regras" no início da puberdade."Eu precisava criar um lugar no qual eu pudesse mantê-la longe do mundo exterior, à força, se necessário", diz outra frase atribuída a Fritzl pela revista.CativeiroO austríaco teve sete filhos com Elisabeth - um morreu pouco depois de nascer, três eram mantidos presos com a mãe, e os outros três viviam com Fritzl e a mulher na parte de cima da casa.Ele teria dito ainda que tentou tomar conta de Elisabeth e das crianças levando flores, brinquedos e livros para o cativeiro."Quando eu ia para o porão, eu levava flores para minha filha, e livros e brinquedos para as crianças, eu assistia a filmes de aventura com eles enquanto Elisabeth cozinhava o nosso prato favorito", afirmou Fritzl, segundo relato de Mayer. "Nós sentávamos todos juntos para comer."Um outro jornal austríaco, o Oesterreich, também afirma que Fritzl teria tentado se defender. Ele teria criticado a cobertura da imprensa sobre o caso como "totalmente parcial", e acrescentou que não é "um monstro".Elisabeth disse à polícia que o pai começou a abusar sexualmente dela quando ela tinha 11 anos. Ela tinha 18 quando foi encarcerada.AmorDe acordo com a reportagem da revista News, Fritzl declarou que ainda ama sua mulher, Rosemarie, com quem teve sete filhos."Desde que eu me lembro, eu tinha um desejo profundo de ter muitos filhos - e eu considerava Rosemarie a pessoa certa para ser a mãe", disse o austríaco, de acordo com a publicação. "A realidade é que eu a amava e ainda amo."Fritzl também teria repetido a alegação de que havia instalado um dispostivo nas portas do cativeiro que faria com que elas se abrissem depois de um determinado tempo. Isso, segundo Fritzl, poderia garantir a liberdade da família caso alguma coisa acontecesse com ele."Se eu tivesse morrido, Elisabeth e as crianças teriam se libertado", diz outra frase atribuída ao austríaco na reportagem.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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