Funcionária de hospital no Texas pode ser 1ª pessoa a contrair Ebola nos Estados Unidos

Violação de protocolos médicos deve ter levado à infecção no país; novos testes serão realizados para confirmar a doença 

Reuters

12 de outubro de 2014 | 15h35

Uma profissional de saúde do Texas pode ter contraído Ebola depois de prestar assistência ao liberiano que morreu da doença num hospital em Dallas na semana passada. O caso elevou as preocupações sobre como procedimentos médicos destinados a impedir a propagação da doença foram violados nos Estados Unidos.

A funcionária supostamente infectada, uma mulher cuja identidade não foi revelada pelas autoridades neste domingo, será a primeira pessoa a contrair a doença nos EUA - caso a contaminação se confirme. Testes iniciais mostram que o nível de vírus em seu sistema é baixo. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) irá realizar um teste secundário para confirmar os resultados. 

Autoridades de saúde disseram que a funcionária do Texas Health Presbyterian Hospital estava usando equipamento de proteção ao tratar de Thomas Eric Duncan. Duncan era um liberiano que morreu na quarta-feira depois de ter sido exposto ao Ebola em seu país natal e ter desenvolvido a doença enquanto visitava os EUA.

O surto na África Ocidental, o pior já registrado de Ebola, matou mais de 4 mil pessoas, a maioria na Libéria, Serra Leoa e Guiné.

O novo caso no Texas indicou um lapso profissional que pode ter causado a infecção de outros profissionais de saúde no hospital, disse o diretor do CDC.

"Nós não sabemos o que ocorreu no cuidado do paciente original em Dallas, mas em algum momento houve uma quebra no protocolo, e essa violação de protocolo resultou nesta infecção", disse o diretor do CDC Dr. Thomas Frieden em entrevista coletiva.

"Estamos avaliando outras exposições potenciais de trabalhadores de saúde, porque se essa pessoa foi exposta, é possível que outros indivíduos também tenham sido expostos", disse ele."Infelizmente, é possível que nos próximos dias venhamos a ver novos casos de Ebola", disse ele.

Frieden disse que uma pessoa pode ter tido contato com a profissional de saúde infectada, e que a pessoa está sendo monitorada. Frieden também afirmou que a intubação de Duncan e o uso de uma máquina de diálise - medidas tomadas ao tentar salvar sua vida - são procedimentos de alto risco para a transmissão do vírus.

Duncan morreu em uma ala de isolamento em 8 de outubro, 11 dias depois de ser admitido. Mais de 50 pessoas trataram do seu caso.

Prevenção. Notícias sobre o segundo paciente com Ebola em Dallas foram divulgadas enquanto autoridades dos Estados Unidos intensificaram os esforços para impedir a propagação do vírus. O aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, no sábado, começou a triagem de viajantes provenientes dos três países do oeste africano mais atingidos. 

A Libéria é o país mais afetado pelo vírus, com 2.316 vítimas, seguido de 930 em Serra Leoa, 778 na Guiné, oito na Nigéria e um nos Estados Unidos, informou a Organização Mundial de Saúde na sexta-feira. Cerca de 4.033 pessoas morreram em sete países do surto.

O Ebola é transmitido por meio do contato com fluidos corporais de uma pessoa afetada ou pela contaminação de objetos como agulhas. As pessoas não são contagiosas antes que os sintomas como febre se desenvolvam.

A ONU afirmou na sexta-feira que o seu apelo por US$ 1 bilhão para responder ao surto na áfrica ocidental foi financiado em apenas 25%.

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