Funcionário da USP ganha mais que a média

Vencimento inicial de um auxiliar de serviços gerais é de R$ 1.210. Em São Paulo se paga R$ 654, mostra cadastro

Luciana Alvarez e Carolina Stanisci, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2010 | 00h00

Em greve há 38 dias, os funcionários da Universidade de São Paulo (USP) recebem salários acima da média paulista. O vencimento inicial de um servidor da USP com ensino fundamental completo - como auxiliar de serviços gerais - é de R$ 1.210. A média salarial em São Paulo para a mesma função é de R$ 654, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Emprego.

Os trabalhadores da USP também ganharam poder de compra nos últimos dez anos. De junho de 2000 a maio de 2010, os salários foram reajustados em 119%, informou o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp). A inflação medida pelo IPC-Fipe no mesmo período foi de 79%.

Alguns servidores da USP reconhecem que são privilegiados, mas creem que isso não desmoraliza sua luta. "Ainda ganhamos pouco perto do custo de vida", diz Marcelo Santos, de 28 anos, auxiliar de cozinha. "Se o pessoal lá fora não consegue lutar por um salário digno, não significa que a gente não possa."

Os salários dos servidores não docentes da USP também são superiores aos oferecidos pela Universidade Federal de São Paulo - nela, o piso é de R$ 1.034. Mas o mesmo não era verdade para os professores até a categoria receber, em fevereiro, aumento de 6%. Com ele, piso e teto se equipararam nas instituições.

Isonomia. O reajuste dado apenas aos docentes em fevereiro foi o estopim da greve dos funcionários. Eles reivindicam a manutenção da isonomia salarial entre as carreiras. Os reitores deram em maio reajuste de 6,57% a todos, incluindo os docentes.

Para o advogado Nilton Correia, da Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas, a isonomia salarial é "conveniente" para a administração pública, por estabelecer critério plenamente conhecido, mas não obrigatória. "O ideal é que se pratique um reajuste só, mas a Justiça aceita porcentuais diferenciados para categorias diferentes em razão de fazer um equilíbrio com os salários do mercado", afirmou.

O Sindicato dos Trabalhadores da USP alega que a isonomia está garantida em acordo de 1991, em item proposto pelos reitores. Presidente do Cruesp e reitor da Unicamp, Fernando Costa diz que a isonomia não foi garantida entre as carreiras.

O texto de 1991 não explicita a questão, mas já está expirado, diz Correia. "Se há um acordo coletivo, entre universidade e sindicato, vale como uma lei. Mas ele tem prazo máximo para acabar: dois anos. Se não for renovado, é como uma lei já revogada."

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