Funcionário encontra celular dentro de esfiha para preso

Mais de 800 esfihas foram entregues no presídio; agentes só conseguiram verificar 30

AE, Agência Estado

01 Dezembro 2008 | 10h03

Um funcionário da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no oeste do Estado de São Paulo, quase quebrou um dente sexta-feira à noite. Ele comeu uma das 800 esfihas destinadas aos presos, feitas na cozinha da Penitenciária de Presidente Bernardes, distante a 40 km da capital. Logo na primeira mordida sentiu uma dor nos caninos. Dentro da esfiha não havia azeitona, mas sim um telefone celular. Os agentes penitenciários abriram as 30 esfihas restantes e encontraram outros três telefones celulares. Segundo funcionários do presídio, a apreensão se deu por acaso. A Penitenciária 2 de Presidente Venceslau é chamada por juízes de Direito de "Guantánamo brasileira" por abrigar os presos mais perigosos de São Paulo, apontados como integrantes da cúpula da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Os diretores do presídio se esforçam para mostrar que a disciplina na unidade é rígida. Até livros são censurados. Já as esfihas mandadas como cortesia dos presos de Presidente Bernardes para os parceiros da P-2 de Venceslau são permitidas, mesmo depois da janta, como ocorreu na noite de sexta-feira. Segundo fontes do sistema prisional, essa prática não é normal e só acontece por conivência da diretoria. "Em outros presídios isso é proibido. Nas outras esfihas que foram entregues aos presos deveriam ter dezenas ou centenas de celulares. É vergonhoso", desabafou a fonte.

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