Funcionários atuam como cabos eleitorais nos Estados

Assessores de Flexa Ribeiro e Mozarildo Cavalcanti estão nessa situação

Leandro Colon, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

Além dos funcionários que recebem sem cumprir expediente, surgem agora os servidores do Senado que trabalham como cabos eleitorais dos parlamentares. A confirmação está na relação dos que não responderam ao recadastramento "caça-fantasma" feito pela Secretaria de Recursos Humanos. Ontem, o Estado, que teve acesso a esses nomes, localizou a funcionária Paula Raphaele Gomes Genuíno em Rurópolis, no sudoeste do Pará, a 1,6 mil quilômetros de Belém.

Em 15 de maio do ano passado, ela foi nomeada como assistente parlamentar do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) com um salário de R$ 952. No escritório do parlamentar em Belém, ninguém a conhece. Por telefone, a servidora do Senado contou a função que exerce para o senador. "Ele não é muito conhecido aqui na região. Eu distribuo os jornais, os papéis que eles mandam", disse. Contou que o material é distribuído não só na cidade, mas também na zona rural.

Paula é filha de um ex-prefeito da cidade, José Paulo Genuíno, que já foi acusado pelo Ministério Público de desvio de recursos públicos. A assessora de Flexa Ribeiro disse que já enviou toda sua documentação para Brasília para regularizar a situação. Ela faz parte do grupo que teve o salário bloqueado por não atender ao recadastramento, iniciado há dois meses.

O senador tentou explicar a atuação da assessora. "Ela divulga o nosso trabalho, traz reivindicações. É preciso ter um assessor lá", afirmou. Segundo explicou, Paula não fez o recadastramento por "problemas técnicos".

IGREJA

Na tarde de ontem, a funcionária Maria de Nazaré Sodré Ramalho estava em um templo da Assembleia de Deus em Boa Vista. Ela foi nomeada em março de 2007 para trabalhar na Comissão de Direitos Humanos. Em abril, foi transferida para a Comissão de Infraestrutura. Atualmente, o Portal da Transparência diz que sua lotação é no gabinete do senador Mozarildo Cavalcanti (PR-RR).

Maria - mulher de um pastor - é uma espécie de cabo eleitoral do senador na igreja. "Eu fico aqui à disposição da Assembleia de Deus", diz, ressaltando que dá palestras aos fiéis. "É um trabalho social."

A reportagem procurou Mozarildo no gabinete e por telefone. Um recado foi deixado, mas não houve retorno até o fechamento da edição. Segundo a sua assessoria, as pendências de assessores que não se recadastraram já foram sanadas.

Ontem, o Estado mostrou dois casos de funcionários fantasmas. Assessora do senador João Vicente Claudino (PTB-PI), Wanda de França Avelino passa o dia em seu restaurante italiano em um shopping de Teresina. Lotado na liderança do PR, Lincoln Uzai Silva ganhou o emprego do senador Magno Malta (PR-ES). No gabinete da legenda no Senado, ninguém o conhece. "Faço pesquisa de campo", contou.

FRASES

Paula G. Genuíno

Assistente parlamentar

"Ele (o senador Flexa Ribeiro) não é muito conhecido aqui na região. Eu distribuo os jornais,

os papéis que eles mandam"

Flexa Ribeiro

Senador (PSDB-PA)

"Ela (Paula) divulga o nosso trabalho, traz reivindicações.

É preciso ter um assessor lá"

Maria de Nazaré Ramalho

Funcionária do Senado

"Eu fico aqui à disposição da Assembleia de Deus.

É um trabalho social"

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