Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Funcionários do BNDES fazem ato de solidariedade a colegas

Associação diz que operação se assemelha a arbitrariedades da época da ditadura

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2017 | 15h49

RIO - Os funcionários do BNDES poderão cruzar os braços caso a presidente do banco, Maria Silvia Bastos Marques, não saia publicamente, e de forma contundente, em sua defesa. Após as conduções coercitivas de alguns colegas pela Polícia Federal (PF) para depor ontem na Operação Bullish, a AFBNDES, associação que representa os servidores da instituição de fomento, fará uma assembleia na segunda-feira para decidir por uma paralisação, já que os técnicos não se sentiriam seguros para assinar documentos. 

No fim da tarde, durante teleconferência com a imprensa que tratou do resultado financeiro do banco no primeiro trimestre, Maria Silvia fez breve declaração sobre o assunto. “Temos confiança na probidade e capacidade técnica dos empregados”, afirmou.

Para o presidente da AFBNDES, Thiago Mitidieri, a declaração foi insuficiente e protocolar. “Ela não disse que foi um absurdo o que fizeram, desnecessário, já que o banco está colaborando”, disse Mitidieri. Em manifestação na sede do banco nesta sexta-feira, 12, o presidente da associação destacou que uma das funcionárias levadas pela PF está grávida. Com 39 meses de gestação, está prestes a dar à luz.

O expediente nesta sexta-feira, 12, no BNDES começou sob o impacto das notícias das conduções coercitivas. Consternados, os funcionários consideraram que a PF humilhou seus colegas, ao procurá-los em casa e apreender seus documentos e computadores pessoais. 

Meia-volta. Enquanto as informações sobre a operação se disseminavam, a presidente voava do Rio para Brasília. Ia para a cerimônia de comemoração do primeiro ano do governo Michel Temer. Informada da ação e da crise que se abrira, voltou ao Rio. 

Muitos funcionários se reuniram no térreo do edifício-sede do banco, no centro do Rio, logo cedo. Ainda de manhã, se dirigiram para o auditório do prédio, onde ouviram da diretoria as primeiras informações sobre a operação. 

À tarde, de volta ao Rio, além de fazer a declaração na teleconferência, Maria Silvia se encontrou com os funcionários investigados e, em outra reunião no auditório do banco, fez um pronunciamento aos empregados. Ela teria reforçado a mensagem de confiança no corpo técnico, mas evitado críticas à operação.

O temor dos servidores é que Maria Silvia, que assumiu o cargo em maio de 2016, ponha sob suspeição as gestões anteriores, preservando somente a sua. O receio com investigações já vem do ano passado. Em agosto, a Justiça Federal de Mato Grosso do Sul determinou o bloqueio de bens de técnicos do BNDES envolvidos na análise de empréstimos para a Usina São Fernando, do pecuarista José Carlos Bumlai, próximo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por envolvimento em repasses ao PT. 

A nova diretoria abriu uma investigação interna sobre o financiamento, que concluiu que a operação foi contratada “de acordo com as definições operacionais do banco”.

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