Funcionários do Samu em Salvador promovem greve

Os cerca de 800 funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Salvador iniciaram na manhã de hoje uma greve por tempo indeterminado para cobrar da prefeitura reajuste salarial, contratação de mais profissionais e melhorias para o sistema. Segundo dados do Sindicato dos Servidores do Samu (Sindsamu), por dia, o Samu recebe 2,5 mil chamados e realiza por 400 atendimentos médicos na cidade.

TIAGO DÉCIMO, Agência Estado

23 de fevereiro de 2011 | 17h35

A paralisação foi definida na noite de ontem, depois de uma reunião entre os profissionais do serviço e a prefeitura, que durou toda a tarde. Segundo o sindicato, os salários dos profissionais não são reajustados há cinco anos e cerca de 40% dos funcionários, contratados pelo Regime Especial em Direito Administrativo (Reda), estão irregulares, por estarem em serviço a mais tempo do que o definido no contrato - de dois anos, prorrogáveis por mais dois.

Eles reivindicam aumentos que ultrapassam 100% no caso de médicos - de R$ 3,5 mil para R$ 9 mil - e de enfermeiros, que passariam a receber R$ 6 mil. Também exigem que os funcionários do Reda sejam efetivados e que sejam contratados mais profissionais, por meio de concursos.

A Secretaria de Saúde informa que não há condições de dar tais reajustes salariais e informa que tanto a efetivação dos terceirizados quanto a realização dos concursos estão em processo de análise. "Fizemos uma proposta que elevaria o salário dos médicos para R$ 4,6 mil e o dos outros profissionais do Samu em pelo menos 10%", diz o secretário Gilberto José. De acordo com ele, a prefeitura teria condições de dar o aumento em junho, mas o prefeito João Henrique Carneiro autorizou o reajuste neste mês. "Já é um esforço muito grande, não é possível avançar mais".

A prefeitura diz ter sido surpreendida pela paralisação e informa que, em parceria com o governo baiano, está disponibilizando equipes do Serviço de Atendimento e Locomoção de Vitimas de Acidente e Resgate (Salvar-193) e as ambulâncias do Samu para atendimentos emergenciais. Apesar disso, foram registrados muitos atrasos em atendimentos médicos na cidade. Um deles pode ter sido a causa da morte de um homem dentro de um posto do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) no bairro de Brotas.

Segundo testemunhas, Israel Alexsandro dos Santos, de 49 anos, foi à unidade buscar o resultado de uma perícia e aguardava na fila quando sofreu um enfarte. Ele chegou a ser atendido por peritos e o Samu e o Salvar foram chamados, mas quando uma equipe do Salvar chegou, cerca de 40 minutos depois, e Santos já havia morrido.

Outro caso que chamou a atenção foi um acidente envolvendo uma moto e um carro na Avenida Bonocô. O motociclista, identificado como Antonio Carlos dos Santos, ficou ferido e aguardou atendimento deitado na via, por mais de 30 minutos. Segundo o Salvar, oito equipes estão fazendo os trabalhos de atendimento na cidade, durante a greve, ante as pelo menos 40 que trabalham no Samu diariamente.

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