Fundação vai traduzir mais 600 videoaulas

Projeto que usa aulas de matemática da Khan Academy em escolas públicas também será ampliado pela Lemann

Carlos Lordelo, O Estado de S. Paulo

13 de janeiro de 2013 | 02h01

Parte do sucesso da Khan Academy no Brasil pode ser creditado à Fundação Lemann. A entidade já traduziu mais de 400 vídeos e agora quer adaptar toda a estrutura do site de Salman Khan.

O trabalho deve durar no máximo três anos. Quando a versão nacional estiver pronta, estudantes terão acesso gratuito a milhares de exercícios e professores poderão utilizar as sofisticadas ferramentas de acompanhamento da aprendizagem dos alunos.

Até dezembro, a fundação também vai traduzir mais 600 aulas. A coleção de vídeos passará a ter todo o conteúdo de matemática do 1.º ao 5.º ano do ensino fundamental, além de tópicos de física, química e biologia do ensino médio e também programação.

"A internet está cheia de gente tentando dar aula, mas por algum motivo a Khan Academy faz todo esse sucesso", afirma Denis Mizne, diretor executivo da Lemann. "Não é fácil traduzir as aulas. É preciso respeitar o ritmo, a empatia da voz, o fluxo e o cuidado com a lousa que Khan tem."

As aulas de matemática de Khan foram utilizadas em um projeto-piloto que abrangeu alunos do 3.º ao 5.º ano de 10 escolas públicas de São Paulo e Santo André em 2012. Pelo menos metade da carga horária da disciplina deveria ser cumprida com os estudantes assistindo aos vídeos ou fazendo exercícios em um sistema desenvolvido pela Lemann, inspirado no da Khan Academy.

Por meio do software, os professores conseguiam acompanhar o desenvolvimento dos alunos. "É uma revolução. Permite ao professor customizar a aula, tornando-a mais produtiva", diz Mizne. Ele lembra que só 33% dos estudantes do País terminam o ensino fundamental sabendo o conteúdo de matemática. Os docentes foram capacitados para saber como ler os dados e também fizeram sugestões. "O legal da tecnologia é que podemos fazer alterações rapidamente, sem gastar muito tempo ou dinheiro."

Em cada escola participante, a fundação entregou laptops e instalou internet de alta velocidade. A Lemann está selecionando mais colégios para expandir a iniciativa: quer chegar a 200 salas de aula e 6 mil alunos neste ano.

Cada estudante trabalha com um laptop, visando a individualizar a sala de aula. "Cada um vai na sua velocidade, até porque pouquíssimos acompanham o ritmo do professor."

Para Mizne, é preciso incluir as escolas na revolução tecnológica. "Hoje existem ferramentas que podem mudar muito a dinâmica de uma sala e ajudar o País a dar um salto na capacidade de aprendizagem."

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