Funeral de Sharon traz à tona visões contraditórias sobre ex-líder de Israel

O ex-primeiro-ministro de Israel Ariel Sharon foi sepultado na fazenda de sua família nesta segunda-feira, com uma cerimônia que lembrou as realizações de um homem visto como herói em seu país, mas considerado um criminoso de guerra pela maioria no mundo árabe.

MATT S, Reuters

13 de janeiro de 2014 | 17h22

Sharon foi homenageado primeiro em uma cerimônia em Jerusalém e, depois, nos campos verdejantes de sua propriedade, no sul de Israel, por um grande número de oradores que celebraram uma vida entrelaçada com a da nação e citaram discretamente as controvérsias que também definiram sua carreira.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair depositaram coroas de flores em seu túmulo, situado a 10 quilômetros da fronteira da Faixa de Gaza, enquanto o Exército israelense permanecia em alto alerta para o caso de algum foguete ser disparado do território palestino.

O Exército informou que dois projéteis foram lançados em direção ao sul de Israel logo depois do encerramento do funeral, sem causar feridos ou danos.

"Nós estamos acompanhando hoje ao seu lugar de repouso final um soldado, um comandante que sabia como vencer", disse o presidente israelense, Shimon Peres, na cerimônia em Jerusalém, com o caixão de Sharon envolto na bandeira azul e branca de Israel.

Sharon, de 85 anos, morreu no sábado depois de passar os últimos oito anos imóvel em uma cama de hospital em estado de coma provocado por um derrame e longe da vista do público.

A morte do ex-general reabriu o debate sobre seu legado. Inimigos condenaram sua conduta implacável nas operações militares, enquanto amigos enalteciam-no como um gênio em estratégia, que como primeiro-ministro espantou o mundo em 2005 ao retirar as tropas e colonos israelenses da Faixa de Gaza, um território palestino no sul.

"A segurança de seu povo sempre foi a missão inabalável de Arik, um compromisso inquebrantável com o futuro dos judeus, seja daqui a 30 ou 300 anos", disse Biden, usando o pseudônimo de Sharon.

Não houve nenhuma menção direta aos fatos que tornaram Sharon uma figura odiada no mundo árabe, como a invasão do Líbano em 1982, que ele planejou como ministro da Defesa.

No entanto, Blair disse em seu pronunciamento que um homem conhecido em seu país como "o buldôzer" havia deixado "escombros consideráveis em sua passagem".

Biden se referiu simplesmente aos seus "erros", dizendo: "A história vai julgar que ele também viveu em um mundo complexo, em uma vizinhança muito complexa."

De acordo com o Ministério de Relações Exteriores de Israel, dignitários de 21 países foram ao funeral, a maioria da Europa, mas não havia na lista nenhuma delegação do Oriente Médio, África ou América Latina.

(Reportagem adicional de Dan Williams, em Jerusalém; e de Saleh Salem, em Gaza)

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