FUP diz que greve parou produção na P-34 e terminais

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) informou que a greve iniciada entre a noite de domingo e a manhã desta segunda-feira conseguiu parar a produção da plataforma P-34, no campo de Jubarte, na bacia de Campos, maior região petrolífera brasileira, e atividades em terminais espalhados pelo país.

REUTERS

23 de março de 2009 | 11h15

"Parou a produção da P-34, que é uma plataforma emblemática por ser a primeira do pré-sal", afirmou à Reuters o coordenador da FUP, João Antonio Moraes.

A categoria reivindica maior segurança no trabalho e garantia de emprego nas empresas que prestam serviços à Petrobras, além de melhor distribuição na participação nos lucros e resultados da companhia.

A P-34 foi a primeira plataforma a produzir petróleo na camada pré-sal, uma faixa que se estende do Espírito Santo a Santa Catarina e que pode conter reservas de bilhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás natural) e colocar o Brasil entre os grandes produtores da commodity nos próximos anos.

Segundo Moraes, a adesão à greve foi nacional e ao longo do dia outras paradas de plataformas devem acontecer. Refinarias e terminais pelo país todo estão aderindo ao movimento, segundo Moraes.

A Petrobras não confirmou as paradas e disse não ter informações imediatamente sobre a greve.

"Uma nota será divulgada na parte da tarde", limitou-se a informar a companhia.

A P-34 tem capacidade de produção de 60 mil barris de petróleo por dia. No início do ano, uma falha na válvula de bloqueio da plataforma matou um funcionário terceirizado da Petrobras, da UTC Engenharia.

Em outubro de 2002, depois de uma pane elétrica, a P-34 chegou a correr risco de afundar, adernando 40 graus em meia hora, mas foi estabilizada em poucos dias.

"A adesão está muito forte, paramos a P-34 e os terminais de Suape em Pernambuco, o terminal de Solimões no Amazonas e o terminal Guarulhos, na Grande São Paulo", informou Moraes à Reuters por telefone.

Moraes disse, no entanto, que a parada de plataformas e dos terminais não afetará o abastecimento do país.

"Vamos garantir o atendimento das necessidades fundamentais da população", explicou o sindicalista.

No ano passado, a categoria conseguiu reduzir em julho a produção da estatal em 136 mil barris diários, mas um plano de contingência foi instalado pela Petrobras e normalizou as atividades no mesmo dia.

Para o analista do BB Investimentos Nelson Matos, a greve não vai afetar o comportamento das ações da companhia se o plano de contigência for novamente bem sucedido.

"Temos que aguardar os acontecimentos, porque se a Petrobras implantar logo o plano de contingência pode não ter consequências, igual à greve do ano passado", afirmou o analista.

Por volta das 11h, os papéis preferenciais da Petrobras subiam 3,78 por cento na Bolsa de Valores de São Paulo, cotados a 30,20 reais, acompanhando alta do petróleo. O Ibovespa operava em alta de 3,61 por cento, no mesmo horário.

(Por Denise Luna)

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