Furto em postes históricos dá prejuízo de R$ 60 mil a SP

Originais da década de 1920 e fabricados no Canadá e na Europa, postes estão presentes em 3 pontos da capital

Laís Cattassini, do Jornal da Tard,

13 Janeiro 2009 | 09h50

O furto de placas de ferro fundido dos postes históricos do centro de São Paulo já causou um prejuízo de R$ 60 mil para a Prefeitura. As peças, que são parafusadas próximas ao chão, são vendidas a menos de R$ 1 em ferros-velhos. Foto: Antonio Milena/AE Originais da década de 1920 e fabricados no Canadá e na Europa, os postes no estilo "São Paulo antiga" estão presentes em três pontos da capital, no centro, no Museu do Ipiranga e no Parque Trianon. Existem, ao todo, 1.511 luminárias antigas na cidade e o Departamento de Iluminação Pública (Ilume) avalia que 20% das peças já tenham sido furtadas.  Por terem sido fabricadas fora do Brasil há muitos anos, a reposição das placas custará caro. Segundo o diretor de divisão de materiais do Ilume, Araldo Castilho, cada uma das peças é orçada em R$ 200. "O custo é alto não pelo material, mas pela fôrma das placas, que não existe mais." O ferro é vendido em locais especializados por R$ 0,10 o quilo. As peças furtadas pesam cerca de 5 kg. "Com a situação do mercado ninguém compra ferro. É muito difícil conseguir um bom preço com esse material", explica o dono de um comércio de ferro e metais, Tibério Meszaros, de 65 anos. De acordo com ele, muitas peças de metal furtadas aparecem no mercado. "As pessoas pegam tampas de galerias, portas de garagem, materiais de alumínio e já sabem onde vender. Quem compra esse tipo de material também está incentivando o crime." Segundo Meszaros, o valor pelo qual o metal era vendido há alguns anos ilude as pessoas que encontram uma oportunidade no furto dos materiais. "Antigamente, o valor do metal podia chegar a R$ 6 o quilo. Hoje esse tipo de crime não compensa em nada." Antes da modernização do sistema de iluminação pública, os geradores de energia eram localizados na base dos postes, protegidos apenas pela placa de ferro, que deveria ser constantemente aberta para a manutenção do aparelho. Frequentemente o equipamento também era furtado.  O desenvolvimento da tecnologia permitiu a criação de equipamentos menos pesados e transferiu os geradores para o topo das lâmpadas, fora do alcance dos ladrões. As placas continuaram soltas em razão dos fios que passam pela estrutura metálica. "Qualquer problema na fiação requer acesso facilitado aos cabos de energia", explica Castilho.  O Ilume deverá decidir nos próximos 15 dias o que será feito com as placas que ainda não foram furtadas, cerca de 1.200. Segundo Castilho, soldar as peças à base não é a melhor opção. "Não sabemos ainda qual a melhor maneira de fixar essas placas. Se soldarmos ficará difícil realizar consertos quando necessário." A substituição das peças furtadas deverá demorar mais de 4 meses. Antes de decidirem pela empresa que realizará os trabalhos, o Ilume precisará escolher um novo material, que não incentive a ação criminosa. Entre as opções estão a fibra de vidro e o alumínio, que têm valor de mercado mais baixo. Para Castilho, os ladrões deveriam ter consciência do problema. "É um transtorno para a cidade, não só para a Prefeitura. Poderíamos estar nos preocupando com coisas mais importantes."

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