Fusão de Itaú e Unibanco joga concorrentes para escanteio

Nova instituição nasce com 324 bi de dólares em ativos, o que a coloca como uma das 20 maiores do mundo

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

03 Novembro 2008 | 18h56

A fusão de  Itaú e  o Unibanco cria, de longe, a maior instituição financeira do Brasil e complica a vida dos concorrentes no tabuleiro da consolidação bancária.  Veja tambémCUT teme onda de demissões e Cade quer julgar fusãoRoberto Setubal, do Itaú, presidirá novo grupo financeiroItaú e Unibanco se unem e criam maior grupo do Hemisfério SulConfiança nas instituições aumenta, diz Ming  De olho nos sintomas da crise econômica Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundoVeja os primeiros indicadores da crise financeira no BrasilLições de 29Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise  O anúncio põe fim a anos de especulações que classificavam o Unibanco como a última grande oportunidade disponível --fosse para a entrada de um novo gigante internacional no país ou para alavancar posições no ranking entre os atuais competidores. "Tem poucos bancos para comprar agora (que mudem significativamente o ranking). O Unibanco era o banco para ser adquirido", afirmou Carlos Daniel Coradi, diretor-presidente da consultoria EFC. A nova instituição nasce com 324 bilhões de dólares em ativos, segundo a Economática, o que a coloca como uma das 20 maiores do mundo. No Brasil, o conglomerado surge com 14,5 milhões de clientes (18 por cento do mercado), abocanhando 19 por cento do mercado de crédito e 21 por cento dos depósitos do sistema. O Banco do Brasil, agora ex-líder, fica com 261,6 bilhões de dólares em ativos, seguido pelo Bradesco, com 220,8 bilhões de dólares. "Não houve surpresa. Mais cedo ou mais tarde o Unibanco seria comprado", disse João Augusto Frota Salles, analista sênior da RiskBank. Segundo ele, o Unibanco tendia a ficar espremido nos próximos anos, ao concorrer com instituições de maior muscultura dentro do inevitável processo de consolidação do setor. "A fusão veio numa hora boa porque não se esperou deteriorar os fundamentos do Unibanco." O entendimento predominante entre analistas é de que o anúncio não trava a marcha da consolidação. Mas restam agora aos concorrentes duas alternativas difíceis: comprar instituições de menor porte ou investir na expansão orgânica. "Novos movimentos neste setor devem ser feitos aproveitando os vários incentivos que o Banco Central vem disponibilizando nos últimos dias", avaliou em relatório Nataniel Cezimbra dos Santos, analista do setor financeiro do BB Investimentos. Liderança difícilEm um exercício sobre o esforço que os bancos teriam que fazer para alcançar o novo Itaú Unibanco, Coradi cita quem nem a compra de Votorantim e Safra, por exemplo, daria a liderança entre as instituições privadas de volta ao Bradesco. Pelo ranking do Banco Central, com base em números de junho, Votorantim e Safra teriam ativos somados de 135,3 bilhões de reais. Mesmo numa eventual aquisição pelo Bradesco, os ativos totais chegariam a 483,7 bilhões de reais --abaixo dos 509 bilhões de reais de Itaú e Unibanco unidos. Dados atualizados no próprio fato relevante sobre a fusão mostram os ativos de Itaú e Unibanco combinados em 575,1 bilhões de reais. "Agora sobram os bancos de médio porte. Mas os concorrentes vão ter que rebolar", disse Nicholas Barbarisi, sócio da Hera Investment.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.