Fuvest tem abstenção recorde e prova elaborada

A primeira fase da Fuvest 2013 teve 10,7% de abstenção, a maior desde 2002, quando passou a ser realizada em apenas um dia. Dos mais de 159 mil inscritos, 17 mil não fizeram o teste, que seleciona estudantes para a USP e para o curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

CARLOS LORDELO, CHICO SIQUEIRA, CRISTIANE NASCIMENTO, JOSÉ MARIA TOMAZELA, RENE MOREIRA, RICARDO BRANDT E SANDRO VILLAR, Agência Estado

26 de novembro de 2012 | 10h21

Mais cedo, a diretora executiva da Fuvest, Maria Thereza Fraga Rocco, disse que o índice de abstenção provavelmente não passaria de 10%. Segundo ela, os cursos mais concorridos são os de Medicina e Engenharia.

Para o professor de química Joel Arnaldo Pontin, do Cursinho da Poli, a prova seguiu a mesma linha dos anos anteriores. "Continua sendo uma prova que privilegia alunos com formação verticalizada, que estudaram muita química, muita física e muita biologia." Os professores do Cursinho da Poli analisaram as questões da prova ontem ao vivo na TV Estadão.

Na opinião de Gilberto Alvarez, diretor da unidade, as escolas públicas e a maioria das particulares não conseguem preparar os alunos para a prova da Fuvest. "O que se exige é um conhecimento muito maior."

Pontin observa que, neste ano, existia uma expectativa grande em relação à prova da Fuvest, já que o vestibular da Unesp trouxe mudanças de critérios de avaliação, com a inclusão de uma grande porcentagem de questões de filosofia e sociologia. "Acreditávamos que a Fuvest pudesse trazer também novidades que pudessem apontar para outro perfil de alunos."

De acordo com o professor de matemática Eduardo Izidoro, a prova foi tradicional. Ele observa que, em matemática, algumas questões trouxeram contextos relativos a problemas cotidianos e questões geopolíticas, mas eles só serviram como pano de fundo. "A prova está longe de ter multidisciplinaridade."

Em biologia, o conteúdo foi bem distribuído, de acordo com o professor Edson Futema. Um ponto positivo da prova é que ela trazia muitas imagens e gráficos. "Isso tornou a prova mais longa, mas contextualizou os conteúdos. São recursos que utilizamos no ensino médio."

Os alunos começaram a deixar os locais de prova às 16 horas. As impressões sobre o exame foram diversas. Segundo a estudante Letícia Silva Santos, de 17 anos, as questões de matemática sobre porcentagem e as de física sobre eletrônica foram as mais difíceis.

Império Romano foi um dos assuntos abordados em história e cálculo estequiométrico, em química. Para Letícia, que presta o exame como treineira de Exatas e fez a prova na FEA-USP, na Cidade Universitária, os textos de inglês também estavam complicados. "Quem não sabe a língua não deve ter conseguido responder", disse.

Um dos textos abordava a migração das campanhas publicitárias da TV para a internet. O outro falava do livro de um escritor que ensina as pessoas a lidar com as frustrações da vida em vez de recorrer ao consumismo.

Segundo a candidata de Psicologia Bruna Salles, de 19 anos, os enunciados da prova estavam bem elaborados. "Eles não eram muito longos. Mesmo assim, eram cansativos."

Gabriela Khoriati, de 17, saiu confiante. "A prova foi mais fácil do que eu imaginava", afirmou. Para ela, que busca vaga em Letras, a parte de Exatas foi a mais complicada.

A assistente de vendas Fabiana Cristina Ferreira, de 29, estudou no cursinho da Faculdade de Psicologia da USP e tenta uma vaga em Letras. Para ela, a prova foi fácil, exceto por química. "Não sei nem dizer o que caiu", conta. Ela observa que, em geografia, caíram assuntos que são recorrentes no noticiário, como a crise econômica na Grécia. A candidata conta que seu desejo é trabalhar como revisora de textos.

Também fazem a prova 21,5 mil treineiros, que não vão terminar o ensino médio neste ano e, portanto, não concorrem às vagas. A prova de primeira fase tem 90 questões de múltipla escolha sobre as matérias do núcleo comum do ensino médio. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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