Fuvest volta a ter abstenção recorde na sua 1.ª fase

Tendência de 2010 é seguida e 10% deixam de fazer a prova que seleciona para USP e Santa Casa; matemática foi a mais difícil

O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2011 | 03h02

A primeira fase do vestibular da Fuvest ocorreu com taxa de abstenção recorde: 9,95% ou 14.621 faltantes, de um total de 146.892 candidatos. É a maior taxa desde 2002, quando essa etapa passou a ser realizada em um dia. No ano passado, o índice foi de 7,79%; em 2009, de 5,95%. A prova foi aplicada sem nenhum incidente.

Sobre o alto índice de faltas, a Fuvest afirma que ainda não tem um diagnóstico que o justifique. No entanto, segundo José Coelho Sobrinho, assessor de imprensa da fundação, é possível que nesse número estejam incluídos os alunos do segundo ano do ensino médio, oriundos de escolas públicas, que se inscreveram no Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp). Esses alunos fazem a primeira fase da Fuvest para acumular pontos e conseguir um bônus de até 15% na nota dessa etapa do vestibular. "Pode ser que esses estudantes tenham engrossado essa taxa", afirmou.

O maior índice de abstenção no Estado é de Presidente Prudente: 14,50%. Na Grande São Paulo, a média foi de 9,74%. O número de inscritos cresceu 10,47% em relação a 2010.

Exatas. A prova da primeira fase teve 90 questões de múltipla escolha das disciplinas que fazem parte do currículo do ensino médio. Neste ano, a nota dessa etapa voltou a valer na pontuação final do candidato.

Os professores de cursinhos ouvidos pela reportagem sentiram falta das questões interdisciplinares. "Uma diferença importante em relação ao ano passado é que as questões interdisciplinares vieram diluídas, e não concentradas no começo da prova", afirma Célio Tasinafo, coordenador do cursinho Oficina do Estudante, de Campinas.

Ele afirma que física e matemática foram as disciplinas com maior grau de dificuldade. "Elas exigem muitos cálculos: física pediu contas em 8 das 10 questões", diz.

O coordenador do cursinho Etapa, Edmilson Motta, concorda. Segundo ele, a prova de física foi a mais difícil deste ano e a de história foi a mais fácil. Ele também acha que as questões interdisciplinares praticamente desapareceram.

Para Motta, o aumento no número de candidatos registrado neste ano - especialmente em Medicina e Engenharia Civil (São Carlos) - pode diminuir o número de aprovados para a segunda fase. "Isso porque, quando se tem um grande número de interessados, normalmente eles não são tão competitivos, o que pode fazer com que a média geral baixe e só passem os melhores", diz.

A partir deste ano, a Fuvest não seleciona mais um número fixo de três candidatos por vaga para a segunda etapa. Serão convocados de 2 a 3 alunos, de acordo com a média de desempenho geral de cada carreira.

Os professores ainda afirmam que a questão 62 da prova V não tem resposta. "A pergunta fala de um polígono convexo com ângulo de 180º, o que não existe", diz o professor de matemática do Anglo, Glenn Van Amson.

Dificuldades. Para os estudantes, as questões mais difíceis foram as da área de Exatas. "Achei a prova meio impossível. E na de matemática 'chutei' tudo", afirma a treineira Angela Peudisco, de 16 anos, que está no 2.º ano em uma unidade do Colégio Objetivo, em São Paulo.

Em compensação, a parte de humanas foi considerada fácil - especialmente inglês. "Qualquer pessoa que se preparou para a prova foi bem", afirma Murillo Pellegrini, de 18 anos, de Campinas.

Segundo os alunos, algumas questões cobraram atualidades, como a radiação em Tóquio, por conta do acidente na usina de Fukushima; o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH); e o 11 de setembro, citado na prova de inglês.

A lista de candidatos convocados para a segunda fase será divulgada no dia 19 de dezembro. As provas acontecem entre 8 e 10 de janeiro. / ALEXANDRE GONÇALVES, CARLOS LORDELO, CEDÊ SILVA, MARIANA MANDELLI, RENÊ MOREIRA, JOSÉ MARIA TOMAZELA, ZULEIDE DE BARROS, ROSE MARY DE SOUZA, GERSON MONTEIRO e CHICO SIQUEIRA

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