G-8: Lula pede fim do 'tratamento de polícia' a imigrante

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou dos sete países mais ricos do mundo e da Rússia (grupo conhecido como G-8) - dos países europeus, em especial - a extinção do "tratamento de polícia" para os imigrantes. Lula criticou a "dureza" da Diretriz de Imigração aprovada pelo Parlamento Europeu no fim de junho, lembrou que o Brasil "cuidou" dos imigrantes provenientes desse continente em toda a sua história e receitou, como alternativa para a redução dos fluxos migratórios, o apoio dos países mais industrializados a medidas que resultem em desenvolvimento econômico e social das nações mais pobres.Lula fez as declarações no encontro entre o G-5 - grupo que reúne os emergentes África do Sul, Brasil, China, Índia e México - e o G-8, realizado em uma estação de esqui na ilha de Hokkaido, no Japão. Mas, especificamente, levantou o tema nas conversas reservadas que manteve com os primeiros-ministros da Itália, Silvio Berlusconi; do Reino Unido, Gordon Brown; do Japão, Yasuo Fukuda; e com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.À imprensa, entretanto, Lula resumiu o atual contexto xenofóbico dos países mais ricos, que criticou explicitamente na semana passada com uma metáfora popular, quando disse: "Se não tivermos uma disputa política (em torno desse tema), vai ser como na casa de gente que fica rica: na medida em que um parente nosso vai ascendendo (socialmente), ele vai deixando de convidar os outros para irem à sua casa, vai colocando mais um portão de ferro para dificultar a entrada. Os países ricos fazem exatamente isso." O presidente acrescentou: "Isso vale para mim, para vocês e para os Estados. Os países ricos acham que os pobres incomodam quando, na verdade, esses pobres ajudaram essas Nações a se desenvolverem." Em seguida, Lula lembrou o fato de que nos Estados Unidos vivem cerca de 35 milhões de hispânicos.

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL DA AE, Agencia Estado

09 de julho de 2008 | 17h56

Tudo o que sabemos sobre:
G-8Lulaimigração

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.