Gabrielli diz que preço do petróleo não limita pré-sal

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse nesta sexta-feira que o preço do petróleo não será limitador para o desenvolvimento de projetos da companhia na área pré-sal. "Bancos e imprensa discutem muito essa questão de que até que preço do petróleo a produção no pré-sal será viável. Esse não é o maior problema. Custo de produção não é limitador para a produção do pré-sal. O maior problema é desenvolver um novo modelo de produção para explorar essas gigantescas reservas", disse Gabrielli durante palestra em evento em São Paulo. Segundo o executivo, cada sistema de produção tradicional, incluindo FPSO (plataformas flutuantes), custa de 6 a 8 bilhões de dólares. Um sistema de produção inclui plataformas, dutos, unidades de processamento de gás e árvores de Natal (válvulas instaladas no fundo do mar), entre outros equipamentos. "É um investimento gigantesco. Teremos que otimizar o sistema de produção para o pré-sal", avaliou. O pré-sal é uma espessa faixa que se estende do Espírito Santo a Santa Catarina em águas ultraprofundas e que possui reservatórios gigantes de petróleo e gás natural que podem colocar o Brasil entre os grandes produtores mundiais. Nesta sexta-feira, o barril do petróleo operava em queda, em torno dos 43 dólares, depois de ter atingido o recorde de 147 dólares o barril em julho. Gabrielli informou que o primeiro campo em produção no pré-sal, Jubarte, na bacia de Campos, está produzindo de 15 a 20 mil barris por dia. Apesar de ser na área pré-sal, Jubarte tem uma camada menos espessa de sal, de apenas 200 metros, contra os dois quilômetros da bacia de Santos, onde estão importantes descobertas da companhia, como o campo de Tupi, com reservas entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo. "Jubarte já está nos dando informações muito importantes sobre a dinâmica dos reservatórios do pré-sal, sobre geofísica, que serão fundamentais para o desenvolvimento dos outros campos", disse Gabrielli sobre o primeiro campo a produzir na região do pré-sal. Em plena elaboração do plano de negócios da companhia para os próximos cinco anos, o executivo afirmou que a expectativa é de que a produção da Petrobras cresça 7,7 por cento ao ano. "Baseados apenas nas reservas provadas que temos, de 14 bilhões de barris, ou seja, sem considerar o pré-sal, podemos ter um crescimento orgânico de 7,7 por cento ao ano", afirmou Gabrielli. "Podemos crescer organicamente e sair de 2,3 ou 2,4 milhões de barris por dia de produção atualmente para 4,1 milhões de boe/dia de produção até 2015, sem considerar o pré-sal. Isso já seria praticamente a metade da produção de uma Rússia", comparou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.