Gabrielli vê melhor venda mas alerta para risco com fornecedores

As vendas da Petrobras em março foram melhores do que no mesmo mês do ano passado e os preços das licitações para os projetos da empresa começam a cair, revelou nesta terça-feira o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, que mesmo assim considera cedo para se falar em recuperação da demanda.

REUTERS

31 de março de 2009 | 17h31

"É um sinal de que a economia tem uma certa recuperação, que ninguém sabe o tamanho dela, mas é um indicador", avaliou o economista após palestra para executivos de finanças no Rio de Janeiro. "Mas é dificil dizer a tendência com apenas essa observação", ressaltou.

Apesar de otimista com as indicações de melhora, Gabrielli observou que é necessário mais tempo para confirmar a tendência e lembrou que os fornecedores da companhia podem ter problemas de financiamento se a crise se agravar.

Sem falar em números, Gabrielli informou que o valor das licitações da empresa começa a refletir a queda do preço do petróleo, o que poderá baratear os custos dos projetos da Petrobras, que planeja investir 60 bilhões de reais este ano e 174,4 bilhões de dólares de 2009 a 2013.

"Nas licitações atuais os preços estão menores do que nós esperávamos, estamos vendo mais empresas concorrendo e menos prazo para execução dos projetos", disse o executivo.

Ele observou que apesar da Petrobras já ter praticamente garantido os recursos para os investimentos de 2009 e 2010, seja através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou bancos privados, um possível agravamento da crise de financiamento pode afetar seus fornecedores e comprometer o ritmo dos investimentos da empresa.

"Isso pode fazer com que o problema dos fornecedores seja ainda mais grave do que o nosso e nós tenhamos que deslocar recursos para viabilizar, manter o ritmo desses fornecedores, e pode significar a gente ter que atenuar o ritmo de crescimento do nosso investimento em função disso", afirmou durante palestra.

Ele avaliou no entanto que a crise financeira não deve continuar em 2011 e por isso não aposta em riscos para a financiabilidade da Petrobras e nem da execução do plano quinquenal da companhia, que equivale a um investimento de 100 milhões de dólares por dia.

"E como nós achamos que nossos projetos são viáveis, precisamos manter os fornecedores fornecendo", finalizou o executivo informando que até o momento nenhum deles bateu na porta da companhia para pedir ajuda.

Ele lembrou que já foram criados fundos de investimento creditórios para ajudar a capitalização da indústria e desde dezembro a Petrobras tem antecipado o pagamento para as empresas que pedem.

Em dezembro foram antecipados 480 milhões de reais e em janeiro, 780 milhões de reais. Ele não soube informar o desempenho em março, que segundo o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, em entrevista recente, teria ficado abaixo de fevereiro.

"Quem quiser antecipar (capital de giro) pode nos procurar", finalizou Gabrielli.

(Por Denise Luna)

Tudo o que sabemos sobre:
ENERGIAGABRIELLI*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.