Gaddafi chega à Itália para tratar de negócios

O líder líbio, Muammar Gaddafi, chegou à Roma no domingo para uma visita de dois dias que gerou curiosidade e polêmica quanto à crescente influência de Trípoli na economia italiana.

ELLA IDE, REUTERS

29 de agosto de 2010 | 16h50

A mídia local vem se concentrando em aspectos como a tenda em que Gaddafi dorme em viagens ao exterior e nos 30 cavalos que ele trouxe para uma exibição equestre na segunda-feira, quando ele se encontrará com o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi.

Repórteres e equipes de televisão se reuniram em um centro cultural líbio em Roma, depois de centenas de mulheres recrutadas por uma agência de acompanhantes foram convidadas para uma palestra de Gaddafi sobre sua conversão ao Islã.

"Ele falou sobre um esforço para a conversão geral ao Islã... O Islã é a única religião, esse tipo de coisa", disse uma das jovens a repórteres de televisão depois do evento.

Mas também há críticas da expansão dos interesses da Líbia na economia italiana, com boa parte da atenção voltada para a aquisição Líbia de 6,7 por cento do UniCredit, um dos maiores bancos do país.

Políticos do partido Liga do Norte, da coalizão antiimigração de Berlusconi, criticaram o investimento e pediram uma investigação do regulador do mercado, o ConSob.

Os laços econômicos entre os dois países se desenvolveram e a Itália, agora o maior parceiro comercial da Líbia, compra boa parte do seu petróleo e gás natural do estado norte-africano.

Além de ações do UniCredit, a Líbia possui uma parcela da companhia petrolífera Eni e expressou interesse em muitas outras, incluindo a companhia energética Enel.

Políticos de oposição também atacaram Berlusconi pela sua relação com Gaddafi, e por ignorar questões de direitos humanos em um acordo pelo qual a Líbia concordou em aceitar de volta imigrantes ilegais que tentem navegar da Líbia à Itália.

Os investimentos líbios na Itália são apoiados por líderes de negócios, incluindo o presidente da Assicurazioni Generali SpA, Cesare Geronzi e o presidente da Banca Popolare di Milano, Massimo Ponzellini.

A visita de domingo de Gaddafi à Itália é a quarta desde um acordo feito 2008, pelo qual Berlusconi concordou em pagar 5 bilhões de dólares em compensação por danos causados pelos italianos durante o domínio colonial da Líbia no começo do século 20.

A visita, que celebra o segundo aniversário do acordo de amizade de 2008, não era certa. A data foi mudada duas vezes e ele chegou à Roma mais de uma hora depois do esperado.

Tudo o que sabemos sobre:
GADDAFIITALIA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.