Gaddafi e filho são enterrados em local secreto no deserto líbio

O líder líbio deposto Muammar Gaddafi e seu filho Mo'tassim foram enterrados nesta terça-feira em um local secreto no deserto, disse um membro do Conselho Nacional de Transição (CNT), pondo fim a uma contenda sobre os corpos em decomposição que ameaçava a estabilidade da Líbia.

SAMIA NAKHOUL, REUTERS

25 Outubro 2011 | 08h49

O CNT causou perplexidade a muitos observadores externos por deixar os corpos de Gaddafi e de Mo'tassim expostos na câmara refrigerada de um mercado de Misrata, no litoral, até que a decomposição obrigasse as autoridades a fecharem as portas ao público na segunda-feira.

"Gaddafi e o filho dele, Mo'tassim, foram enterrados no amanhecer em um local secreto com o respeito que lhe eram devidos. Divulgaremos mais detalhes posteriormente", disse um importante membro do governo interino à Reuters.

"Só duas pessoas de confiança foram destacadas para essa missão secreta. Não são guardas, e sim pessoas de muita confiança do CNT", disse Abdel Majid Melegta, porta-voz do CNT, por telefone à Reuters.

Sob pressão dos aliados ocidentais, o CNT prometeu na segunda-feira investigar a forma como Gaddafi e seu filho foram mortos. Gravações feitas com celulares mostram ambos vivos depois de serem capturados, na semana passada. O ex-líder líbio aparece sendo humilhado e agredido antes de ser baleado, embora funcionários do CNT tenham inicialmente dito que ele foi atingido em um tiroteio.

Ainda em Misrata, as últimas orações islâmicas diante dos dois corpos foram recitadas pelo clérigo pessoal de Gaddafi, Khaled Tantoush, que foi preso com ele. Em seguida, os cadáveres foram retirados do mercado, onde nos últimos dias os líbios fizeram fila para ver o ex-homem forte sobre um colchão, em uma paródia sombria do velório de um chefe de Estado.

Dois primos de Gaddafi - presos no comboio em que o ex-dirigente tentava fugir de Sirte, na quinta-feira passada - assistiram à cerimônia. Os corpos depois foram levados ao deserto.

Aparentemente, a liderança do CNT concluiu que o túmulo anônimo evitaria que o local se tornasse foco de peregrinação de saudosistas do antigo regime.

Um funcionário do CNT disse à Reuters há vários dias que os responsáveis pelo sepultamento teriam de jurar pelo Alcorão que nunca revelarão o local.

Membros da tribo de Gaddafi também reivindicavam o corpo para poder enterrá-lo em Sirte, enquanto as autoridades de Misrata - cidade que foi sitiada pelas forças gaddafistas no começo dos oito meses de guerra civil - queriam alguma recompensa do CNT para entregá-lo.

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