Gaeco e PM prende quadrilha que roubava trens em SP

Em uma grande operação, denominada Ferrorama, a Polícia Militar e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), de São José do Rio Preto (SP), prenderam cerca de 40 pessoas suspeitas de integrar uma quadrilha que teria furtado mais de R$ 30 milhões de produtos, especialmente combustíveis, dos trens da malha paulista da América Latina Logística (ALL).

CHICO SIQUEIRA, ESPECIAL PARA A AE, Estadão Conteúdo

06 Agosto 2014 | 17h05

Entre os presos estão donos de postos de combustíveis e fazendeiros, acusados de receptação dos combustíveis, além de 11 seguranças que teriam facilitado a ação da quadrilha, que era investigada havia mais de seis meses pelo Ministério Público.

Promotores da Gaeco e cerca de 250 PMs participaram da ação - que teve apoio de cães e do helicóptero Águia. Foram cumpridos 59 mandados de prisão temporária e 67 mandados de busca e apreensão em cidades das regiões de Catanduva, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto.

Só em Santa Adélia, na região de Catanduva, onde estaria o núcleo e os principais integrantes da quadrilha, 23 suspeitos foram detidos e levados ao Fórum e à Delegacia de Polícia da cidade para prestar depoimentos. Donos de postos de combustíveis e proprietários rurais comprovam os combustíveis abaixo dos preços de mercado para revender em seus postos ou usar para abastecer as máquinas agrícolas em suas propriedades rurais.

De acordo com o promotor João Santaterra, do Gaeco de Rio Preto, as investigações surgiram em dezembro quando a promotoria criminal de Santa Adélia acionou o grupo para o caso. "A promotoria nos revelou uma prática endêmica de crimes ocorridos ao longo da linha férrea", disse o promotor à imprensa.

Segundo Santaterra, a quadrilha cooptava moradores para atuar no furto de grãos e açúcar, mas especialmente, de combustíveis. Eles eram auxiliados pelos seguranças, que abriam os vagões ou fingiam não ver os furtos. Os produtos eram estocados por períodos curtos de tempo para serem entregues aos grupos responsáveis pela receptação.

"Era uma quadrilha muito bem organizada, com várias células diferenciadas com seus cabeças que articulavam os furtadores", disse. Segundo o promotor, a quadrilha deu prejuízo superior a R$ 30 milhões à ALL. A empresa informou que estava colaborando com as autoridades e que espera o fim das investigações para comentar o assunto.

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