Galliano alega ser alcoólatra e viciado em remédios em julgamento

Estilista britânico é acusado de antissemitismo e pode pegar seis meses de prisão.

BBC Brasil, BBC

22 Junho 2011 | 18h00

O estilista britânico John Galliano disse nesta quarta-feira, durante seu julgamento em Paris, que é alcoólatra e viciado em remédios para dormir e antidepressivos, e que isso explica o fato de ele ter feito declarações consideradas ofensivas contra judeus em público.

Galliano, ex-diretor de criação da grife francesa Christian Dior, foi acusado de antissemitismo após ter elogiado o Holocausto e atacado os judeus em um bar de Paris no dia 24 de fevereiro. As declarações foram gravadas em vídeo por celular.

Após entrar por uma porta lateral no tribunal, a fim de evitar o assédio da imprensa, Galliano disse ao juiz que não se lembrava de ter feito as polêmicas declarações naquela noite.

O estilista, que perdeu o emprego na Christian Dior após o incidente, pediu desculpas por suas declarações, mas negou ser antissemita. Ele também disse que buscou tratamento para largar a dependência de remédios em clínicas de reabilitação.

A acusação está solicitando que o estilista pague uma multa de pelo menos US$ 14 mil pelo ocorrido. Entretanto, caso seja declarado culpado, o estilista pode pegar até seis meses de prisão.

Excentricidade

Famoso pela excentricidade e apontado como um dos mais talentosos estilistas da atualidade, Galliano foi demitido da Dior às vésperas da Semana de Moda de Paris.

No vídeo divulgado em fevereiro deste ano, Galliano aparece aparentemente bêbado. Ele diz a duas mulheres que estão na mesa: "Eu amo Hitler (...) Pessoas como você deveriam estar mortas. Suas mães e seus antepassados deveriam ter sido mortos com gás".

As declarações de Galliano ofenderam a comunidade judaica. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), milhões de judeus foram perseguidos pelo regime nazista de Adolf Hitler e muitos morreram em câmaras de gás nos campos de concentração.

No julgamento, Galliano responde a acusações de antissemitismo contra a mulher que aparece no vídeo e também de racismo contra o parceiro de origem asiática da mesma, a quem também teria insultado.

O veredicto do caso deve ser anunciado no dia 8 de setembro. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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