Gangue de falsos carteiros ataca em São Paulo

Deic já registrou pelo menos 10 casos em residências de luxo; quadrilha contrata costureiras e maquia carro

Camila Haddad, do Jornal da Tarde,

03 Novembro 2008 | 08h54

As quatro delegacias de Crimes contra o Patrimônio, ligadas ao Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) investigam a "gangue dos carteiros", um grupo de criminosos acusado de assaltar mansões e condomínios de luxo na capital paulista, que se apresenta como funcionários dos Correios. Pelo menos dez casos já foram registrados. As residências escolhidas pelos assaltantes ficam nos bairros dos Jardins, Morumbi, Cambuci, Alto da Boa Vista, Chácara Klabin e Ibirapuera (na zona sul), Higienópolis (região central) e Belenzinho (zona leste). Policiais ouvidos acreditam que mais de uma quadrilha atue dessa maneira em São Paulo. Eles explicam que, na hora de atacar as vítimas - tanto de dia como à noite -, um dos integrantes do bando toca a campainha com uma roupa idêntica à dos carteiros, nas cores amarela e azul. Geralmente simula a entrega de um Sedex e na primeira oportunidade domina a dona da casa ou algum funcionário. Investigadores observam que, desde janeiro, esse tipo de assalto tem sido muito freqüente. As quadrilhas chegam a confeccionar roupas como as usadas pelos carteiros e contam com a colaboração de costureiras conhecidas. Muitas vezes, os assaltantes ainda colam adesivos com o nome dos Correios em carros de cor branca, modelo Gol. De janeiro a julho, alguns suspeitos já foram identificados. Procurada, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) não informou se alguém foi preso. O último roubo desse tipo ocorreu na Rua Atlântica, nos Jardins, às 13h30 do dia 25, quando um grupo formado por seis assaltantes invadiu uma casa do empresário Isaac Duek, de 56 anos, ex-sócio da grife Fórum e irmão do estilista Tufi Duek. Vestido como carteiro, um dos criminosos disse a uma empregada que precisava entregar uma caixa. Após entrar na residência, abriu caminho para os demais integrantes da quadrilha, que fugiu meia hora depois com dólares e jóias. Um vigia da rua chegou a ser dominado pelo bando. Duek foi levado como refém pelos bandidos, ao volante de seu BMW preto blindado. Minutos depois, os ladrões abandonaram o carro e o empresário na Rua Estados Unidos, perto dali. Duek evita falar sobre o caso. Um mês antes, uma tentativa de roubo foi registrada na Vila Mariana, na Rua Rino Levi. Um homem vestido de carteiro tentou abordar a doméstica de uma mansão. Outra funcionária viu a ação, foi até os fundos da casa e ligou para a PM. O bando percebeu e fugiu. A imagem de um dos ladrões foi gravada pelo circuito interno de TV. A família está traumatizada e no dia do caso sentia tanto medo que não queria registrar boletim de ocorrência.    Funcionários   Segundo os Correios, há um "rigoroso controle de uniforme". Todos os funcionários assinam termos de responsabilidade sobre as roupas e devolvem as peças ao sair da empresa. Alguns carteiros já notaram dificuldades para entregar correspondência, embora o sindicato da categoria não tenha registros a respeito. "A moradora às vezes abre uma parte da janela e demora mais do que o normal, até quando nos conhece", diz um carteiro, que preferiu se identificar apenas como Fernando. "Há muitos desconfiados. E com razão." Como se prevenir - Atenção a quem bate na porta: Tenha cuidado na hora de aceitar um Sedex. Fique atento, pois as encomendas costumam ser esperadas pelo morador. Caso não sejam, desconfie. Solicite ao carteiro que passe o crachá da empresa por baixo da porta ou do portão; - Em caso de dúvida ou insistência do carteiro: Avise a Polícia Militar pelo telefone 190; - Cobre a identificação: Verifique se o carteiro usa crachá e se porta uma folha, que o destinatário deverá assinar após receber a encomenda (esse papel traz a logomarca dos Correios); - Hábitos e rotinas: O carteiro que passa normalmente é o mesmo, sendo conhecido pelos moradores e empregados. E costuma passar no mesmo horário. var keywords = "";

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