Garapa de Caçapava faz sucesso

Longe da febre do plantio de canaviais para produzir açúcar e álcool, município especializa-se no caldo de cana

João Carlos de Faria, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2007 | 05h13

Se caldo de cana e pastel são tradição principalmente em São Paulo e no Rio, em Caçapava (SP), no Vale do Paraíba, a taiada - doce feito à base de melado de cana, gengibre e farinha de mandioca - supera essa fama e define carinhosamente quem nasce ou mora na cidade. A condição de ''''terra da taiada ou dos taiada'''' coincide com o fato de ser o município o maior fornecedor de cana-de-açúcar para os apreciadores do caldo de cana.A fama já ultrapassa fronteiras: no próximo verão europeu, a cana de Caçapava vai virar produto de exportação: cerca de 500 dúzias por semana serão enviadas, por um depósito carioca, para lanchonetes de Lisboa. ''''A cana vai de navio, embalada a vácuo'''', revela o empresário Roberto Quina.Hoje, quase 100% da cana consumida no Rio de Janeiro e pelo menos 80% em São Paulo e na Baixada Santista são de Caçapava. Isso fez com que, nos últimos dez anos, a área plantada do município pulasse de 600 para 1.500 hectares, com produção anual de 180 mil toneladas. Um grupo de dez produtores, com média de 150 toneladas por hectare, concentra a maior parte da produção, mas outros 200 pequenos produtores também cultivam a cana. A atividade gera 1.500 empregos diretos e indiretos.MÃO-DE-OBRAComo os canaviais no município não são mecanizados, boa parte desses empregos é permanente, pois a mão-de-obra é utilizada em todas as fases da cultura e seus subprodutos. ''''Muita gente busca a ponta da cana para tratar do gado e há emprego até para as mulheres, que fazem o enleiramento da palha'''', diz o agrônomo Dalmir Lopes Guedes, da Casa da Agricultura.O produtor Paulo Borsói cultiva 120 hectares, com produção de 15 mil toneladas/ano. ''''A cana de Caçapava é doce, tem caldo claro e rende muito - cerca de meio litro por cana -, além de ser macia'''', diz.Isso foi conseguido graças à troca de variedades forrageiras, usadas antigamente, por outras, principalmente a SP 813250, própria para a produção de açúcar. Outro produtor, Luiz Gazola, há oito anos trocou milho e gado de corte pela cana, que rende R$ 5.460/hectare, ante R$ 2.200 do milho. Gazola tem 144 hectares de cana e vende 90% da produção de 12.700 toneladas/ano para depósitos na capital.INFORMAÇÕES: Casa de Agricultura, tel. (0--12) 3653-3222; Paulo Borsói, tel. (0--12) 3652-6714

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