Garcia vê 'resquício de Guerra Fria' na Colômbia

A presença militar dos Estados Unidos na Colômbia foi classificada nesta terça-feira como "um resquício da Guerra Fria" pelo assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia.

REUTERS

04 Agosto 2009 | 17h40

O comentário de Garcia foi feito após ele ter se reunido com o conselheiro de segurança nacional norte-americano, General James Jones, que visita o Brasil.

"Bases estrangeiras à região aparecem um pouco como resquício da Guerra Fria", disse o assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a jornalistas.

"A Guerra Fria acabou. Esta é uma região que está em um processo de evolução democrática pacífica muito grande", acrescentou.

O governo colombiano pretende assinar neste mês uma ampliação de seu acordo militar com Washington, que inclui maior presença de tropas norte-americanas na Colômbia. O presidente colombiano, Alvaro Uribe, declara que o acordo é importante para auxiliar na luta contra o narcotráfico.

Garcia afirmou ter dito ao general norte-americano que a posição do Brasil, contrária ao uso de bases militares do país vizinho por tropas norte-americanas, não é "idiossincrática e ideológica", uma vez que o Brasil tem boas relações com Bogotá.

Ele lembrou ainda que a crítica do presidente Lula à instalação das bases foi feita em conjunto com a presidente do Chile, Michelle Bachelet. Chile e Colômbia são aliados estratégicos dos EUA na região.

O assessor de Lula destacou ainda que o governo brasileiro acredita que as bases militares não contribuem para a distensão política da América do Sul.

"Não me parece que perto da fronteira de uma região como a Amazônia, que muitas vezes é objeto de cobiça internacional, seja positivo o estabelecimento de bases cujo alcance e os objetivos não estão, para nós, ainda muito claros", complementou.

(Reportagem de Fernando Exman)

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