Gargalo logístico no país ameaça abastecimento de adubos--Andav

Os problemas logísticos do país podem restringir a oferta de fertilizantes para o cultivo da safra de verão 2012/13 no momento em que os produtores se preparam para o plantio, disse nesta quarta-feira o presidente da Andav, associação que reúne os distribuidores de insumos agropecuários.

FABÍOLA GOMES, Reuters

08 de agosto de 2012 | 14h23

"Temos um risco muito grande de desabastecimento de fertilizantes, já estamos vendo problemas nos portos, com muitos navios chegando...", afirmou Marco Antônio Nasser de Carvalho, presidente da Andav, no intervalo de congresso que reúne os distribuidores, em São Paulo.

"É um risco de que não se consiga retirar (os carregamentos) do porto a tempo e hora de entregar na fazenda para o plantio, principalmente nas áreas que plantam mais cedo", acrescentou ele.

O plantio da safra de verão começa em meados de setembro no Centro-Oeste.

Na avaliação do executivo, o produtor deveria começar a olhar com muito cuidado para a situação e já começar a formar os estoques do insumo nas próprias fazendas. Isso porque muitos agricultores compram o produto antecipadamente, mas optam pela entrega no período mais próximo da época do plantio, entre setembro e outubro.

"Nós já estamos com um caos logístico pré-fábrica: que é a retirada de porto, a importação de produtos... A fila no porto de Paranaguá na semana passada já chegou a ter 126 navios aguardando para descarregar conforme foi noticiado", observou.

Outra questão que deve ser considerada, segundo o executivo, é o clima. "Se a chuva vier mais cedo, como é que o produtor vai conseguir retirar os fertilizantes das indústrias? As indústrias não têm condição de ampliar a capacidade de produção", observou.

Por isto, ele aconselha produtores a começarem a fazer a retirada dos produtos previamente contratados.

A indústria brasileira importa cerca de 60 por cento de sua demanda nacional de fertilizantes intermediários, que posteriormente são misturados para fazer a entrega do fertilizante final contendo os nutrientes NPK (nitrogênio, potássio e fósforo).

Levantamento mais recente da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda) indica que as vendas de fertilizantes no país somaram 11,7 milhões de toneladas entre janeiro e junho deste ano, 5,6 por cento maior que o primeiro semestre do ano passado, que já foi um período com volumes de entregas bastante superior a dos anos anteriores.

Até o momento, o Brasil já importou 7,8 milhões de toneladas, o volume é 13 por cento abaixo se comparado a igual período do ano passado. Mas somente em junho, houve um salto de 24 por cento nas importações, que somaram 2 milhões de toneladas.

O executivo conta que, sobretudo no Centro-Oeste, muitos produtores de soja e milho anteciparam a decisão de compra de insumos, porque a relação de troca está favorável. Primeiro, foram os produtores da soja que aproveitaram o bom momento da oleaginosa para fecharem os pacotes tecnológicos, que incluem sementes, fertilizantes e defensivos.

Depois foi a alta vista no milho por conta da seca que comprometeu a safra norte-americana do cereal.

"Há um mês ninguém podia imaginar que os preços do milho estariam nos níveis atuais", disse Carvalho.

Diante disso, diz ele, é possível que ocorra uma migração de parte da área de soja para o milho, o que muda a decisão de compra, uma vez que o cereal demanda mais insumos do que a oleaginosa.

O executivo afirma que diante da relação de troca favorável já existem casos de produtores negociando os pacotes de insumos para 2013/14.

"Este foi um tema discutido aqui em plenária. É um risco muito grande... Mesmo assim foram fechados alguns poucos negócios para 2014", afirmou.

A Andav conta com mil associados em 400 municípios produtores do Brasil, que realizam vendas anuais de cerca de 7,7 bilhões de reais.

O cenário para o setor é promissor na avaliação do executivo, uma vez que o aumento das safras no Brasil se dará sobretudo pelo aumento da produtividade, com mais investimentos em insumos, e não pela abertura de novas áreas de cultivo.

CAFÉ

Ao contrário dos produtores de soja e milho, os cafeicultores estão postergando as compras de insumos nesta temporada, enquanto aguardam por preços melhores para negociar o grão no mercado internacional. Uma decisão que ele também considera arriscada, diante do risco de alta dos preços de insumos por causa da logística.

"O mercado (de fertilizantes) de café está todo em aberto", disse Carvalho.

Ele observou que nesta mesma época do ano passado os cafeicultores já haviam comprado de 45 a 50 por cento da necessidade de adubo para a safra, mas em 2012 este porcentual não passa de 20 por cento.

A primeira adubação nos cafezais começa a ser feita entre setembro e outubro, no começo da temporada mais chuvosa.

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