Garoto diz que padrinho de amigo permitiu uso do jet ski

O amigo de 14 anos que acompanhava o adolescente V.A.C., de 13 anos, acusado de pilotar o jet ski que atropelou e matou a menina Grazielly Almeida Lames, 3, no sábado de Carnaval, em Bertioga (SP), confessou à polícia que o padrinho de V., José Augusto Cardoso, 51, autorizou ambos a pilotar o aparelho, na Praia de Guaratuba. Grazielly morreu em decorrência de um traumatismo craniano.

REGINALDO PUPO, Agência Estado

14 Março 2012 | 17h26

Com seu depoimento, o garoto I. complicou a situação dos padrinhos de V. e do caseiro Erivaldo Francisco de Moura. Segundo I., Moura acompanhou os adolescentes até a praia ao levar o jet ski para o mar em uma carreta engatada em um quadriciclo. Em depoimentos anteriores, José Cardoso negou ter autorizado os adolescentes a pilotar o jet ski. V.A.C. acompanhou a versão que já havia sido apresentada pelo advogado de sua família, de que apenas teria dado a partida na embarcação. O caseiro negou ter acompanhado os adolescentes até a praia um dia após o acidente.

Durante depoimentos tomados inicialmente na delegacia de Bertioga, várias testemunhas já haviam afirmado terem visto os adolescentes pilotando o jet ski e que havia uma pessoa adulta acompanhando os dois. Mesmo antes da conclusão da perícia na embarcação e de testemunhas a serem ouvidas, o delegado de Bertioga Maurício Barbosa Júnior encerrou o inquérito sem indiciar ninguém. Agora as investigações estão sob responsabilidade da Delegacia Seccional de Santos, que tomou para si o inquérito, devido à repercussão do caso.

"O caseiro mentiu no depoimento, assim como o padrinho de V.A.C", disse o advogado da família de Grazielly, José Beraldo, que não descartou a possibilidade de solicitar à Delegacia Seccional de Santos, para onde o inquérito foi enviado antes de ser apresentado ao Ministério Público de Bertioga, uma nova perícia no jet ski.

Uma avaliação particular na embarcação, encomendada por Beraldo, já foi realizada. O perito Jean Pierre Frederi deverá solicitar à polícia autorização para acompanhar uma segunda perícia oficial, caso seja feita. Uma reconstituição também não está descartada. "Com o depoimento de I., os responsáveis têm que ir para o banco dos réus e responder por dolo eventual", disse Beraldo.

Os familiares de Grazielly deverão realizar um ato público na Praia de Guaratuba, no próximo dia 18, quando completam 30 dias da morte da criança. Cruzes deverão ser fincadas na areia e balões brancos, simbolizando a paz, deverão ser soltos. "Será um ato para que o caso também não seja esquecido e que não fique impune", disse Beraldo.

Grazielly visitava o mar pela primeira vez no dia do acidente, no sábado de Carnaval. Em vídeos postados na internet, ela parecia deslumbrada com o mar. Segundo a mãe, Cirleide Lames, às vésperas da viagem para Bertioga, a criança perguntava se já estava chegando o dia de conhecer a praia. Ela brincava na areia quando foi atingida pelo jet ski. Ela chegou a ser socorrida por um helicóptero da Polícia Militar, mas morreu no hospital. V.A.C. fugiu sem prestar socorro.

O adolescente correu para o condomínio onde estava hospedado, na casa dos padrinhos, e depois foi levado por sua mãe até a Riviera de São Lourenço, a poucos quilômetros dali, onde possuem uma casa. A fuga para a Riviera foi para aguardar o pai de V.A.C., que estava em Mogi das Cruzes, para buscá-los.

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