Garoto que recebeu ácido em hospital pode ter sequelas

Enfermeira deu ao garoto ácido tricloroacético ao invés de sedativo em hospital de Belo Horizonte

Marcelo Portela, Agência Estado

11 Abril 2012 | 18h28

BELO HORIZONTE - Um garoto de 2 anos teve que ser submetido a uma cirurgia para colocação de uma sonda nesta quarta-feira por causa de um erro de uma enfermeira que o fez ingerir ácido ao invés de um medicamento. Ele ainda terá que ficar internado no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, por cerca de duas semanas. Os médicos que cuidam da criança afirmam que o menino pode ter sequelas.

Alan Breno Castro foi internado no Hospital Infantil São Camilo no domingo, 8, após sofrer uma queda. Ele seria submetido a uma tomografia porque sentia dor na cabeça, porém, ao invés de sedativo, a enfermeira deu ao garoto ácido tricloroacético, produto usado no tratamento de verrugas. Alan chegou a cuspir parte do ácido, mas depois os pais perceberam queimaduras na boca da criança.

O menino foi internado e, na terça-feira, 10, foi transferido para o Felício Rocho, onde foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica. Segundo o coordenador do setor, Waldemar Fernal, Alan foi submetido a uma traqueostomia e gastrostomia para colocação da sonda. O garoto sofreu inflamação na boca, garganta e esôfago.

De acordo com o médico, a criança permanecerá em tratamento para a dor e, em 48 horas, passará a receber alimentos líquidos pela sonda. Fernal afirmou que a criança não corre risco de morrer e que ficará na UTI por causa da "maior vigilância" que é mantida sobre os pacientes. Ainda segundo o médico, há possibilidade de Alan sofrer estreitamento do esôfago, o que prejudicaria "parcial ou totalmente" a deglutição e obrigaria o garoto a fazer "periodicamente" um procedimento médico para facilitar a passagem de alimentos.

Em nota, o Hospital São Camilo confirmou o erro e informou que abriu sindicância interna para apurar o que ocorreu. Segundo a nota, a técnica de enfermagem responsável pela troca dos produtos permanecerá afastada de suas funções enquanto durar a apuração e o hospital continuará prestando assistência à criança e sua família. A Polícia Civil mineira também instaurou inquérito para investigar o caso.

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