Gastos em saúde crescem, mas Brasil continua abaixo da média do mundo

Saúde. Parcela do orçamento investida é inferior à média dos países africanos, aponta levantamento da Organização Mundial da Saúde. Não faltam médicos, mas proporção de leitos é baixa. Mais da metade do dinheiro gasto na área vem do bolso do cidadão

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2012 | 03h03

Apesar de o Brasil ser a sexta economia do mundo, os gastos do governo com saúde se equiparam ao de países africanos e o investimento ainda é menor do que a média mundial. Levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que não faltam médicos no País, mas a proporção de leitos é baixa se comparada à de outros países. Além disso, o Brasil é uma das 30 nações onde a população paga do seu próprio bolso mais de 50% dos gastos com saúde.

Segundo o levantamento, as autoridades brasileiras incrementaram o orçamento destinado aos serviço de saúde nas últimas décadas. O aumento, porém, não foi suficiente para que o País atingisse a média mundial (mais informações nesta página).

A diferença entre o montante de recursos investidos em saúde pelo Brasil e pelos países ricos ainda é grande. De acordo com a OMS, o governo brasileiro destinava em 2000 4,1% de seu orçamento para a saúde. Dez anos depois, a taxa subiu para 5,9%. No entanto, a média mundial é de 14,3% - a taxa brasileira chega a ser inferior à média africana.

Do total que se gasta no País com saúde, 56% sai do bolso dos cidadãos, e não das esferas governamentais. Apenas 30 dos 193 países analisados pela OMS enfrentam essa situação.

Em 2000, no entanto, o índice era ainda maior: 59% dos custos da saúde saíam do bolso do cidadão. Ainda assim, a taxa de 56% está distante da média mundial, de 40%. Nos países ricos, apenas um terço dos custos da saúde são arcados pelos cidadãos.

Fração. Em uma década, o governo triplicou o investimento por habitante. Mas, ainda assim, reserva a cada brasileiro apenas uma fração do que países ricos destinam. No Brasil, em 2000, o governo destinava, em média, US$ 107 para cada brasileiro, ao ano. Em 2009, o valor passou para US$ 320, ainda inferior à média mundial: US$ 549.

Nos países europeus, os gastos médios dos governos com cada cidadão chegam a ser 25 vezes superior aos do País. É o caso de Luxemburgo, onde se gasta mais de US$ 6,9 mil por habitante.

Governos como Romênia, Sérvia, Arábia Saudita e Uruguai também destinam mais dinheiro por habitante que no País.

Outro dado preocupante: o País conta com 26 leitos para cada 10 mil pessoas (período 2005-2011). Oitenta países têm um índice melhor que o do Brasil, que está empatado com Tonga e Suriname. A média mundial é de 30 leitos para cada 10 mil habitantes. Na Europa, a disponibilidade é três vezes superior.

Em relação à quantidade de médicos, o Brasil vive uma situação mais confortável. Segundo a OMS, são 17,6 médicos para cada 10 mil habitantes, acima da média mundial (14 por 10 mil). Ainda assim a taxa é a metade da registrada na Europa.

Sem acesso. Procurada ontem, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde informou que o governo não teve acesso aos dados da pesquisa da OMS nem à sua metodologia e, portanto, não poderia comentar seus resultados. A pesquisa da OMS será divulgada oficialmente hoje.

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