Gatos e ratos ameaçam espécies em Abrolhos

Doze anos atrás, pesquisadores começaram a monitorar as populações de aves no Arquipélago dos Abrolhos, no sul da Bahia, e notaram algo esquisito. Na Ilha Santa Bárbara, onde fica um farol e uma base da Marinha, havia 480 ninhos de atobás-brancos, mas os filhotes que nasciam ali não chegavam à idade adulta. Em algum momento, simplesmente despareciam.

Herton Escobar, de O Estado de S.Paulo

09 Abril 2012 | 03h04

Ao longo de cinco anos de monitoramento, apenas um filhote na ilha "vingou", segundo a bióloga Cynthia Campolina, pesquisadora associada do Programa Marinho da ONG Conservação International no Brasil. A razão: gatos domésticos, trazidos do continente para combater uma infestação de ratos, que haviam sido introduzidos inadvertidamente nas ilhas pelo homem anteriormente.

Em vez de correr atrás dos ratos, os gatos estavam atacando os filhotes de atobá durante a noite, aproveitando-se da fraca visão noturna das aves, que fazia delas presas fáceis. Em parceria com a Marinha, então, os gatos foram retirados da ilha. Mas os estragos causados não desapareceram da noite para o dia.

Em 2004, segundo Cynthia, cerca de 200 atobás-brancos migraram para a ilha vizinha de Sueste, mas não conseguiram se estabelecer por lá, por causa da competição por espaço com seus primos, os atobás-marrons, que já viviam no local. Então, voltaram para Santa Bárbara. "Até hoje o nível de sucesso reprodutivo não é o mesmo", afirma Cynthia. Ela relatou a história ao Estado durante uma visita recente ao arquipélago, no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos.

Os ratos, que eram o problema para começo de conversa, continuam no arquipélago. E há suspeitas de que estejam comendo os lagartinhos nativos das ilhas. "Notamos que eles estão sumindo também. Alguma coisa os está matando", diz Cynthia. Um projeto está sendo colocado em prática neste ano para exterminar os roedores sem contaminar o ecossistema das ilhas.

O estado geral de conservação das aves no arquipélago é bom, diz Cynthia. Mas são populações vulneráveis. Em 1996, um incêndio na Ilha Redonda, causado por um foguete sinalizador disparado de um barco durante o réveillon, matou todos os filhotes de fragatas da ilha. "Só depois de 13 anos a população voltou ao mesmo tamanho", diz Cynthia. / HERTON ESCOBAR

Abrolhos concentra a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul, como o frade-cinza. E cientistas estão descobrindo muitos recifes de coral fora do parque nacional.

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