Gays fazem 'beijaço' na USP em protesto contra discriminação

Evento foi convocado em resposta à expulsão de dois homossexuais que se beijavam em festa na Veterinária

Redação com informações de Daniela do Canto, do Jornal da Tarde,

01 Novembro 2008 | 00h23

Diversos casais homossexuais protagonizaram um "beijaço" no câmpus da Universidade de São Paulo na noite desta sexta-feira, 31. O evento, convocado pela Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), em resposta ao constrangimento a que foram submetidos dois estudantes homossexuais que se beijavam durante uma festa no Centro Acadêmico (CA) da Veterinária. Protagonistas de polêmica, José Eduardo Góes e Jarbas Rezende Lima participam de 'beijaço'/Fotos: JF Diorio/AE A movimentação dos manifestantes, cerca de 300 pessoas, começou na Faculdade de Economia e Administração (FEA) e seguiu para o local onde os estudantes de Letras José Eduardo Góes, de 18 anos, e Jarbas Rezende Lima, de 25, teriam sido expulsos da festa da Veterinária. Alguns dos manifestantes entraram na festa, que acontece todas as sextas-feiras, e protagonizaram o beijaço, inclusive os rapazes alvos da polêmica. Uma parte dos manifestantes não pôde entrar, uma vez que o local não comportaria tanta gente. A primeira tentativa, por volta das 23h15, foi mais tímida. Na segunda tentativa, às 23h50, diversos casais subiram no palco e protagonizaram o beijaço, que transcorreu sem incidentes. O CASO No dia 10 de outubro, durante um "happy hour", como os alunos se referem à festa agitada por funk, quando meninos e meninas sobem em palcos para dançar e também se beijar, o DJ interrompeu o som por volta de 1h30, as luzes foram acessas e o casal gay, repreendido. "O DJ ficou apontando. Acredito que um casal heterossexual não teria sido tão exposto e agredido", afirma Lima. "Em segundos, um cara nos arrancou de lá." A balada foi encerrada. Os rapazes estavam acompanhados de mais quatro amigos heterossexuais. O bate-boca continuou do lado de fora. "A maioria dos alunos apoiou o DJ, que também é presidente do CA", conta Góes. "Ele disse que pararia a festa se fossem um homem e uma mulher. Sempre vi rapazes beijarem meninas. Fomos ameaçados de processo por atentado ao pudor." Góes afirma não ter havido excesso.   A Guarda Universitária foi chamada, mas, segundo os estudantes, os funcionários disseram que nada poderiam fazer. Góes e Lima, com o BO, afirmam que vão solicitar audiência na reitoria para questionar a conduta dos profissionais no trato com o público gay.  FACULDADE ADMITE EXAGERO O diretor da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo, José Antonio Visintin, admitiu na quarta-feira, 29, que houve exagero na repreensão a um beijo gay durante festa dos estudantes no Centro Acadêmico Moacyr Rossi Nilsson, no dia 10. "Nossa retratação é reconhecer que houve um erro, mas foi algo esporádico", disse. Na terça-feira, os alunos de Letras José Eduardo Góes, de 18 anos, e Jarbas Rezende Lima, de 25, registraram BO na delegacia de intolerância.  Segundo a organização do evento, em seu texto convocando à manifestação, o mais grave é que o caso foi "protagonizado justamente por quem está à frente dos estudantes, dirigindo uma entidade do movimento estudantil e que deveria, portanto, defender os seus direitos": o DJ que expulsou o casal homossexual da festa é, também, presidente do C.A. da Veterinária.  O alunos que apóiam o beijaço querem que os responsáveis pela cena de preconceito sejam punidos e não mais representem estudantes na organização.

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