Gbagbo recebe oferta de exílio e ameaça de sanções

Nações africanas ofereceram um "pouso suave" para Laurent Gbagbo no exílio caso ele deixe a Presidência da Costa do Marfim, disse uma autoridade norte-americana na sexta-feira, enquanto cresce a pressão para que Gbagbo admita sua derrota na eleição presidencial de novembro.

TIM COCKS E ANDREW QUINN, REUTERS

17 de dezembro de 2010 | 18h57

Rebeldes leais ao candidato oposicionista Alassane Ouattara trocaram tiros com o Exército na quinta-feira em Abidjã e na região central do país. Protestos em Abidjã deixaram pelo menos 20 mortos, causando temores de um reinício da guerra civil que dividiu o país em 2002/03.

"Há pelo menos uma oferta africana de um pouso suave, mas cabe a ele (Gbagbo) aceitá-la", disse à Reuters o diplomata William Fitzgerald, funcionário do Departamento de Estado dos EUA encarregado de assuntos da África Ocidental.

Ele acrescentou que os EUA devem impor nos próximos dias sanções de viagem a Gbagbo e seus assessores e familiares, caso a crise política não se resolva. A França já havia feito ameaças semelhantes.

Autoridades eleitorais anunciaram no começo do mês que Ouattara venceu a eleição de 28 de novembro com uma margem de quase 10 pontos percentuais sobre Gbagbo. Mas o presidente alegou que houve fraude em favor de seu adversário no norte do país, e a Corte Constitucional, dirigida por um aliado dele, anulou centena de milhares de votos de Ouattara, revertendo o resultado.

Líderes da União Europeia pediram na sexta-feira ao Exército marfinense que passe a apoiar Ouattara. O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, foi mais longe e propôs que as nações africanas deponham Gbagbo pela força se for necessário.

Na quinta-feira, partidários de Ouattara tentaram ocupar a sede da emissora estatal de rádio e TV RTI, em Abidjã, o que resultou em um violento confronto com as forças de segurança.

Houve tiroteios envolvendo rebeldes pró-Ouattara e soldados do governo em Abidjã e na cidade de Tiebissou, que fica praticamente na fronteira entre a parte do norte controlada pelos rebeldes e a área governamental do sul da Costa do Marfim.

Um porta-voz de Gbagbo disse que 20 pessoas morreram nos protestos de Abidjã, inclusive dez soldados e policiais. A oposição afirma que 14 manifestantes foram mortos.

Os partidários de Ouattara convocaram um novo protesto para sexta-feira, mas a adesão foi pequena, devido aos temores de mais repressão.

"Parece... que algo está avançando, que talvez seja melhor esperar do que sermos mortos nas ruas", disse Patrick Achi, porta-voz de Ouattara. "É muito derramamento de sangue."

(Reportagem adicional de Stephanie Nebehay em Genebra, Emmanuel Jarry em Bruxelas)

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