Gel recupera função cardíaca de enfartado

Um gel que tem como matéria-prima o próprio tecido do coração recuperou parcialmente a função cardíaca perdida após o enfarte. A estratégia, aplicada com sucesso em porcos, deve ser testada em humanos neste ano, segundo pesquisadores da Universidade da Califórnia. Ainda não existem terapias que promovam a reconstituição do músculo cardíaco afetado pelo enfarte.

MARIANA LENHARO, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h02

O material foi injetado no coração de seis porcos, duas semanas após terem sofrido enfarte. Outros quatro porcos enfartados não receberam a terapia.

Três meses após a aplicação, testes mostraram que os porcos que receberam o gel tinham melhorado a função cardíaca, enquanto os que não o receberam apresentaram piora. Foi observada a migração de células musculares para a região que recebeu o gel, além da formação de vasos sanguíneos nas áreas enfartadas. No grupo-controle, o tecido afetado tornou-se fino e fibroso.

Karen Christman, uma das autoras do estudo, publicado na Science Translational Medicine, observa que, quando alguém sofre um enfarte, a estrutura do músculo cardíaco é degradada, o que faz com que novas células não tenham onde se fixar para que o tecido cresça. "Pensamos que a melhor coisa para se injetar no coração seria o mesmo que estava lá inicialmente. Então, desenvolvemos a forma líquida dessa estrutura muscular."

Também foi constatado que o gel reduz a cicatrização, o que é importante, segundo o cardiologista Leopoldo Piegas, do HCor, porque a cicatriz que se forma após o evento atrapalha a contração cardíaca. Uma das críticas feitas ao estudo, afirma José Eduardo Krieger, diretor do Incor, é que os testes não foram realizados utilizando, para efeito de comparação, a medicação administrada hoje a enfartados. Isso permitiria determinar se os efeitos do gel são superiores aos medicamentos disponíveis.

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