Saúl Martínez/EFE
Saúl Martínez/EFE

General da reserva vence eleições presidenciais na Guatemala

Otto Pérez é o primeiro militar a assumir o poder desde que a democracia foi reinstaurada no país, em 1986

ELINOR COMLAY E MIKE MCDONALD, REUTERS

07 de novembro de 2011 | 08h26

CIDADE DA GUATEMALA - Um general da reserva que prometeu reprimir a criminalidade venceu as eleições presidenciais da Guatemala no domingo e será o primeiro militar a assumir o poder desde que a democracia foi reinstaurada no país, em 1986.

Otto Pérez, do direitista Partido Patriota, tinha 54,2% dos votos quando os resultados haviam sido apurados em 98% das seções eleitorais. Seu rival, o rico empresário Manuel Baldizón, estava com 45,8% dos votos.

O tribunal eleitoral da Guatemala declarou Pérez vencedor na noite de domingo, 6, e seus simpatizantes começaram a comemorar nas ruas.

Foi uma clara virada para a direita na maior economia da América Central. A candidatura de Pérez ganhou impulso porque o presidente Álvaro Colom, de esquerda, fracassou em conter os crimes violentos e proteger a Guatemala dos cartéis de drogas mexicanos que usam uma rota de contrabando através do país.

Pérez, de 60 anos, venceu o segundo turno das eleições prometendo "mão firme" contra o crime. Ele havia dito que iria enviar as tropas para as ruas e aumentar o número de policiais.

"Desde o primeiro dia, os guatemaltecos verão que têm um presidente comprometido em defender as vidas e a segurança dos guatemaltecos", disse Pérez na noite de domingo, prometendo dedicar ao menos 60% de seu tempo à segurança.

Simpatizantes soltaram fogos de artifício e organizaram uma festa na rua próxima ao centro de convenções onde os votos foram contados. Eles vestiam a cor laranja do Partido Patriota e acenavam com punhos ao ar, imitando o gesto de campanha de Pérez.

O índice de assassinatos na Guatemala é cerca de oito vezes maior que o dos Estados Unidos e muitos entre a população de 14,7 milhões querem uma posição mais firme contra o crime.

Grupos defensores de direitos humanos temem que a mensagem de combate ao crime adotada por Pérez possa ter consequências negativas em um país com uma história de ditaduras militares e assassinatos extrajudiciais cometidas por forças de segurança.

O Exército matou supostos esquerdistas e cometeu muitos massacres de camponeses durante a guerra civil de 1960 a 1996, em que cerca de 25 mil pessoas morreram ou desapareceram.

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