Genética: da elite para o campo

Investimentos em genética também são obrigatórios no gado comercial, para aumentar a precocidade do rebanho

O Estado de S.Paulo

12 de março de 2008 | 01h28

Dos 108 animais do lote vencedor do Circuito Boi Verde de Julgamento de Carcaças de 2007, abate técnico organizado pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), 90% pesaram entre 17 e 19 arrobas e tinham idade até 36 meses (4 dentes). No quesito gordura, 80% do lote recebeu avaliação ''mediano'' (a nota máxima).É em busca de um plantel homogêneo e com esse perfil - precocidade de abate, ganho de peso mais rápido e qualidade de carcaça - que cada vez mais pecuaristas brasileiros, tanto criadores de gado de elite quanto criadores de plantel comercial, investem em genética.Hoje em dia, a cadeia de produção do nelore é bem definida. De um lado estão os cridores de animais de elite, um setor que já está consolidado no País. E, na outra ponta da cadeia, o criador comercial, que tem à disposição uma série de tecnologias e reprodutores ou sêmen com genética garantida para melhorar o desempenho de todo o plantel.MÉDIA MENORNão é à toa que a média de idade de abate do nelore caiu de 50 para 30 meses. ''Carne de qualidade começa com genética de qualidade. E o criador brasileiro já está consciente da necessidade de ter esse melhoramento, senão não tem lucro'', defende a presidente da ACNB, Alice Ferreira.O rebanho de elite é o grande fornecedor de genética para o rebanho comercial, principalmente por meio da venda de touros e sêmen, destaca o assessor de Marketing Jeferson Nomelini, da Associação Nacional dos Criadores e Pesquisadores (ANCP). A associação atua na área de pesquisa e melhoramento génetico das raças nelore, guzerá, brahman e tabapuã.As pesquisas sobre nelore são feitas em parceria com a ACNB, no Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore, há 20 anos. ''Trabalhamos para melhorar características como ganho de peso, fertilidade e habilidade materna. Além das características reprodutivas, como precocidade sexual dos animais e melhorias de carcaça (acabamento e rendimento de cortes nobres).''De acordo com o assessor, atualmente a transferência de tecnologia do gado de elite para o comerical é feita, basicamente, de duas formas: inseminação artificial e venda de touros jovens, para monta natural. Um dos resultados do programa mostra que o peso do animal na hora do abate aumentou 6,37 quilos/animal entre 1999 e 2005. ''A cada ano, os animais ficam 1,1% mais pesados.''O criador associado ao programa, explica Nomelini, faz, quatro vezes por ano, a pesagem e aferição do perímetro escrotal (para verificar a fertilidade do animal) nos animais até 18 meses de idade. ''Depois, enviam os dados para ANCP, que faz a avaliação genética.'' Todos os resultados dos programas de melhoramento genético da ANCP são publicados em sumário. A edição 2008 do sumário Nelore Brasil será lançada no dia 25 de abril, em Ribeirão Preto (SP).

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