Genética: mercado externo em expansão

Interessados em produzir carne com eficiência, países de clima tropical investem na importação de embriões e sêmen

O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2007 | 01h32

O País ainda tem muito potencial a ser explorado na exportação de animais vivos e material genético. Conforme levantamento do consórcio de exportação Brazilian Cattle Genetics (BCG), no ano passado o País exportou 246.176 bois para abate e para melhoria genética de rebanhos. Em 2005, foram vendidos 113.205 animais. Tirando o que foi embarcado para o Líbano - o maior comprador -, o restante são animais destinados para reprodução. Os principais destinos foram, além do Líbano, a Costa do Marfim, o Paraguai e o Senegal. Este ano, até maio, já foram vendidos 87.176 bois, para o Líbano e Senegal.Segundo o gerente-executivo do BCG, Gerson Simão, este ano a previsão é exportar mais de 130 mil doses de sêmen. ''''No ano passado, foram exportadas 123 mil doses, um volume recorde.'''' Este ano, até agosto, já foram comercializadas 99.204 doses de sêmen. Entre os principais compradores, Simão destaca Colômbia, Paraguai e Venezuela.O consultor internacional de Vendas da Lagoa, Maurício José de Lima, diz que o mercado externo de sêmen bovino tem enorme potencial. ''''Para gado de corte, o nelore é um fenômeno, em termos de adaptabilidade, fertilidade e rusticidade'''', diz Lima. A Lagoa comercializa 1,6 milhão de doses de sêmen por ano, mas, deste total, as exportações ainda representam menos de 5%. A genética para gado leiteiro representa 60% do mercado, enquanto a voltada para gado de corte equivale a 40%. Segundo Lima, o Paraguai é maior comprador de genética nelore.As exportações de embriões ainda estão começando. Este ano, segundo Simão, serão enviados os primeiros lotes. ''''Já tivemos a experiência de exportar embrião para o Canadá, mas foi em caráter experimental.''''CUSTOSO pecuarista Luiz Humberto di Martino Borges, diretor-superintendente da Fazenda Nova Índia, de Uberaba (MG), diz que o País deve aproveitar o potencial de exportação de material genético. ''''Exportar animal vivo é muito caro e há um série de restrições sanitárias. O Brasil até tem como cumprir o protocolo sanitário dos países compradores, mas, para o criador, às vezes, não é viável economicamente'''', afirma Borges. A Nova Índia possui 740 cabeças de gado nelore.Hoje, a Nova Índia exporta embriões e sêmen. A última venda foi de 80 embriões de nelore para a Venezuela. ''''Vender material genético é mais viável e seguro.''''

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