Gênio da matemática desaparece antes de ganhar prêmio

O matemático russo Gregori Perelman, que resolveu um dos grandes mistérios da matemática, está sendo indicado como o possível ganhador da maior honra do mundo da matemática: a Fields Medal, considerada o Nobel da Matemática.Ele também é visto como um potencial vencedor do prêmio de US$ 1 milhão (cerca de R$ 2,1 milhões) do Clay Mathematics Institute, em Massachusetts, nos Estados Unidos, por ter resolvido o que o centro considera um entre os sete mais importantes problemas matemáticos do milênio. A instituição deve dar o prêmio ao matemático quando estiver convencida que sua resolução não tem falhas. O problema é que Perelman é um recluso, cujo paradeiro não é totalmente conhecido. E é improvável que essa situação mude, mesmo que ele efetivamente ganhe os prêmios.No mundo acadêmico, poucos dos que o conhecem acreditam que ele vá comparecer à cerimônia de premiação da Fields Medal - ele também já disse que irá recusar os US$ 1 milhão do instituto americano, se vier a ser considerado merecedor. Perelman resolveu a chamada Conjectura de Poincaré, formulada pelo grande matemático francês Henri Poincaré em 1904. Para os não-iniciados, é difícil entender até mesmo a formulação do problema. Em termos leigos, ela diz que o único espaço tridimensional que não é vazado por um furo é a esfera.A Conjectura de Poincaré é considerada uma das questões centrais da Topologia, uma área da matemática que estuda as propriedades geométricas de objetos que não mudam quando são distorcidos, esticados ou encolhidos. Durante um século, cientistas em todo o mundo tentaram resolvê-la. Perelman, que trabalhava no Instituto de Matemática Steklov, em São Petersburgo, resolveu o problema há três anos.Também conhecido como Grisha, o matemático russo colocou sua descoberta na internet em novembro de 2002 e recusou-se a dar entrevistas, dizendo que qualquer publicidade seria prematura - ou seja, até que seu trabalho fosse examinado por outros matemáticos.Na época, o matemático Tomasz Mrowka, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), disse: "Estamos desesperadamente tentando entender o que ele fez".Desde então, matemáticos de todo o mundo vêm analisando a resolução e até agora ninguém encontrou falhas. A resolução de Perelman tem profundas implicações para a ciência. Segundo especialistas, ela permite que se faça um catálogo de todas as formas tridimensionais possíveis no Universo, o que significa que poderíamos descrever a forma do próprio cosmos.Nesse contexto, o desaparecimento - ou, para muitos, a reclusão voluntária - do genial Perelman intriga e fascina a comunidade internacional dos matemáticos.Em entrevista à BBC, o escritor de livros científicos Simon Singh tenta explicar o comportamento excêntrico do matemático."Matemática Pura é um assunto tão esotérico que você faz por amor. Você não faz por dinheiro, por recompensas, por reconhecimento ou medalhas", diz Singh.Para o escritor, Perelman é um exemplo extremo desse tipo de comportamento."Ele resolveu o problema. E não se deu ao trabalho nem de publicar (em uma revista cientifica) o seu trabalho. Porque do ponto de vista dele, o problema foi resolvido e isso é o que interessa."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.