Genoino nunca administrou finanças do PT, diz defesa

O advogado do ex-presidente do PT José Genoino disse nesta segunda-feira, durante julgamento do processo do chamado mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), que o petista não era responsável pelas finanças do partido e que ele desconhecia as demais pessoas apontadas como integrantes do suposto esquema.

Reuters

06 de agosto de 2012 | 16h51

Genoino foi apontado pela denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) como integrante do núcleo político do alegado esquema de desvio de recursos e compra de apoio parlamentar. Ele é acusado pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa.

Segundo a denúncia, Genoino atuava ao lado do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares no principal núcleo do suposto esquema.

Na defesa, o advogado Luiz Fernando Pacheco alegou que Genoino deixou claro ao assumir a presidência do PT que teria atribuições estritamente políticas, e que as questões financeiras ficariam a cargo de Delúbio.

"O Genoino cuidava, na presidência do partido, das relações do partido com a militância, das relações do partido com os movimentos sociais, com suas bases no Congresso Nacional, com os partidos da base aliada", disse Pacheco.

"Tratava, claro, obviamente, com os partidos da base aliada. Mas em termos políticos, não tratava de finanças", disse.

O advogado disse também que Genoino não conhecia nenhuma das pessoas apontadas como integrantes do suposto esquema, e que não tratou de nenhum assunto com o publicitário Marcos Valério, apontado como elo e principal operador.

DENÚNCIA "FANTASIOSA"

A argumentação de Pacheco foi a segunda no primeiro dia de defesa dos 38 réus da denúncia. Cada advogado tem até uma hora para fazer sua exposição, mas Pacheco usou apenas 40 minutos. Leu um histórico da trajetória do petista e depoimentos de conhecidos, atentando que seu cliente é um homem "ético e honesto".

A defesa desqualificou a denúncia sobre o suposto mensalão como "fantasiosa", disse que o esquema nunca existiu e que Genoino só está entre os réus no processo porque foi presidente do PT.

"A denúncia não faz individualização de conduta, redunda na responsabilidade objetiva. Se é bruxa, queima, se queima é bruxa. É o direito penal nazista. Se é judeu, mata. Foi presidente do PT, então tem que ir para a cadeia", disse.

Pacheco negou a existência de contratos de empréstimos falsos, como apontado pela PGR na denúncia, e disse que os contratos eram legítimos, usados para quitar dívidas da campanha presidencial de 2002, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva elegeu-se pela primeira vez, e débitos de diretórios estaduais.

(Reportagem de Hugo Bachega)

Tudo o que sabemos sobre:
POLITICAMENSALAOGENOINOLEGAL*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.