Gesso é bom, com aplicação criteriosa

Vendas do insumo já alcançam 3,5 milhões de toneladas por ano. É barato, por isso produtor às vezes exagera na dose

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 02h46

Com função complementar à calagem (aplicação de calcário para corrigir a acidez do solo), o uso do gesso agrícola na lavoura tem benefícios comprovados e está cada vez mais difundido entre os produtores. Tanto que, a partir de 1995, ano em que a Embrapa Cerrados passou a incentivar a prática, depois de 20 anos de pesquisas, o consumo médio totalizava cerca de 200 mil toneladas de gesso por ano. Nos últimos dois anos, as vendas do insumo saltaram para 3,5 milhões de toneladas por ano, segundo informa o pesquisador Djalma Martinhão Gomes de Sousa, da Embrapa Cerrados.

"Como a adesão dos agricultores ao insumo é cada vez maior, dadas as vantagens que a prática oferece, é preciso ficar atento, porém, à questão da aplicação racional de gesso no solo, ou seja, não aplicá-lo onde não há necessidade", diz o pesquisador da Embrapa.

A tecnologia da gessagem pode ser adotada em várias lavouras, conforme Sousa. "Eucalipto, cana-de-açúcar, grãos, olericultura, pastagens, frutíferas, o espectro de ação do gesso é muito grande na agricultura."

Subproduto. O gesso agrícola, ou sulfato de cálcio, é um subproduto da indústria de fertilizantes fosfatados e, por isso, tem baixo custo - a tonelada custa em torno de R$ 30. Dependendo da localização da propriedade, o maior custo é com o frete. No Centro-Oeste, a média de aplicação é de 2 toneladas de gesso por hectare. "Antes de se tornar um insumo importante para a lavoura, o gesso não tinha destinação certa."

Segundo Sousa, dificilmente uma aplicação desnecessária trará problemas para o solo, porque é preciso uma quantidade exorbitante, muito acima do recomendado, para provocar uma contaminação por gesso agrícola do lençol freático, por exemplo. O impacto desse uso excessivo é o econômico, no bolso do produtor, mesmo considerando que a tecnologia custa pouco", afirma Sousa.

Análise de solo. A aplicação racional de gesso é feita com base em análise química (macronutrientes, acidez e teor de matéria orgânica e micronutrientes) e física (areia, silte e argila). "A análise de solo é uma ferramenta simples e inerente à instalação de uma lavoura. Mesmo assim, muitos produtores a negligenciam e a substituem por um "receitão" sem base técnica." A análise de solo deve ser feita em um laboratório especializado (Veja quadro) e os resultados devem ser analisados e interpretados por um profissional capacitado. "Não basta fazer a análise. É preciso que um profissional avalie se a área apresenta deficiência de cálcio e excesso de alumínio em profundidade para então indicar a aplicação na medida certa."

A coleta de amostras do solo para a análise química de solo deve ser feita na profundidade de 20 a 40 centímetros e de 40 a 60 centímetros para culturas anuais. Em lavouras perenes, é importante analisar o solo da camada de 60 a 80 centímetros.

Para a cultura do café, calcula Sousa, a relação custo-benefício do insumo é bastante alta. "A relação fica em torno de R$ 25 de ganho para cada R$ 1 investido no uso do gesso em um período de oito anos." Já para culturas como soja e milho, o retorno da tecnologia é de R$ 15 a R$ 25 para R$ 1 aplicado.

ONDE FAZER

Laboratórios especializados fazem análises química e física de solo, que servem de base para a aplicação de gesso na lavoura

Instituto Agronômico, tels. (0--19) 2137-0651 e 3241-5188. Preço da análise (química e física): R$ 42 por amostra

Embrapa Pecuária Sudeste, tel. (0--16) 3411-5649.

Preço da análise (química e física): R$ 42 por amostra

Esalq/USP, tel. (0--19) 3417-2117. Preço da análise (química e física): R$ 55 por amostra

No site http://lab.iac.sp.gov.br há a lista de laboratórios que fazem parte do Programa de Controle de Qualidade do Instituto Agronômico

Mais informações

EMBRAPA CERRADOS

TEL. (0--61) 3388-9898; E-MAIL: DMGSOUSA@CPAC.EMBRAPA.BR

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