Gestão de temas da Rio+20 deve mudar

Questionada por repórter, Izabella Teixeira fala em mudanças: 'Tem outra novela chamada Avenida Brasil Sustentável'

FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2012 | 03h03

Cobrada por uma repórter francesa sobre a falta de uma estrutura no governo brasileiro para coordenar as dimensões ambiental, econômica e social do desenvolvimento sustentável, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse ontem que serão anunciadas "brevemente" mudanças na governança em relação ao tema da conferência das Nações Unidas, a Rio+20.

Durante o lançamento da versão em português de relatório encomendado pela ONU com 56 recomendações para colocar em prática o desenvolvimento sustentável, a repórter Kakie Roubaud perguntou: "Já que é tão importante recomeçar tudo na base dos três pilares, por que o Brasil não dá o exemplo criando um ministério do desenvolvimento sustentável?"

A ministra, então, respondeu: "Porque essa talvez não seja a solução. Mas se pode tratar de uma estrutura de governança para o desenvolvimento sustentável. Aguarde os próximos capítulos. Tem uma outra novela chamada Avenida Brasil Sustentável. Teremos boas notícias."

Depois, Izabella não quis detalhar a mudança.

Redução do consumo. No discurso, a ministra voltou a insistir na necessidade de mudança dos padrões de produção e consumo. Ela citou dados do relatório que indicam o aumento do número de consumidores da classe média em 3 bilhões até 2030 e, consequentemente, do consumo.

De acordo com o documento, apesar dos limites ambientais o mundo precisará de, no mínimo, 50% mais alimentos, 45% mais energia e 30% mais água nos próximos 20 anos para atender a população.

Sobre as negociações para a Rio+20, Izabella disse que a discussão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável "certamente vai envolver um incremento da participação de energias renováveis".

Indagada sobre a oposição do Brasil à criação de uma agência ambiental global, a ministra do Meio Ambiente disse que não há consenso em relação a isso e que "uma agência não significa o melhor formato". "A proposta, como está formulada, é insuficiente para lidar com os desafios."

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