Gilmar Mendes cobra cautela na apuração da morte de Isabella

Ministro do STF pediu que agentes públicos não propiciem 'sanha de justiceirismo' em congresso em BH

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2008 | 18h04

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, cobrou nesta sexta-feira, 9, cautela dos agentes públicos envolvidos na investigação do assassinato da menina Isabella Nardoni para não "propiciar ou estimular" uma "sanha de 'justiceirismo'." Antes de dar uma palestra na abertura do 3º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, em Belo Horizonte, Mendes admitiu que leu pouco sobre o caso. "Mas aquilo que eu li mostra que há muitos desencontros de informações fornecidas por autoridades. Isso não é bom", salientou. VEJA TAMBÉMAmeaçada, Anna Carolina Jatobá é transferida para TremembéImagens da prisão do casal  Leia a conclusão da Justiça sobre o inquéritoFotos do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella  Ele também lembrou que as investigações não estão concluídas. "Essas matérias todas demandam muita cautela por parte dos agentes públicos envolvidos. Delegado, promotor, juiz, nesse tipo de caso eles têm de ter muita cautela, exatamente para não alimentar informações desencontradas e não propiciar ou estimular às vezes uma sanha de 'justiceirismo'." O pai e a madrasta de Isabella - Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá - tiveram a prisão preventiva decretada na quarta-feira pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri, que acatou integralmente o pedido de prisão e a denúncia oferecida pelo promotor Francisco Cembranelli. O casal responde por homicídio doloso triplamente qualificado contra a menina.  O presidente do STF disse que não tinha elementos para fazer juízo do pedido e do decreto de prisão preventiva, mas observou que a medida não pode ser tomada em razão do clamor público. "Não conheço o decreto de prisão preventiva. O Supremo Tribunal Federal tem uma jurisprudência no sentido de que clamor público não justifica prisão preventiva". Questionado, Mendes disse que a imprensa "cumpre a sua função" no caso. "Há um interesse geral e a imprensa, na verdade, acaba por intermediar esse tipo de interesse."

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