Gilmar Mendes quer União no debate sobre criminalidade

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse que a União "nunca quis assumir" a discussão sobre a segurança pública de maneira ampla e sempre faz "auxílios isolados" no setor. Ao se referir à onda de violência em São Paulo, ele afirmou que a questão da criminalidade deve entrar na agenda federal "e sem conversa fiada". "Tem que ter uma política nacional sobre o assunto com a União no papel central", disse Mendes, que participou na tarde desta sexta-feira (9) de evento da Escola da Advocacia Geral da União (EAGU), na capital paulista.

BEATRIZ BULLA, Agência Estado

09 de novembro de 2012 | 17h09

Mendes afirmou que a onda de violência em São Paulo "parece inclusive uma ação política", sem explicar ou detalhar a questão. "Esses ataques têm conotação que vão para além dos crimes comuns. Sugerem práticas que se aproximam de práticas terroristas", comentou o ministro. Ele disse ainda observar nesse caso uma "organização criminosa com o objetivo de fazer enfrentamento ao Estado".

De acordo com Mendes, a conversa sobre segurança "é desagradável" para a União, pois os secretários de Segurança Pública estaduais questionam de onde virão recursos para enfrentar a criminalidade. "É preciso que de fato a União assuma claramente suas responsabilidades nessa matéria, que vão além de uma Secretaria de Segurança Pública burocraticamente provida em Brasília", disse o ministro.

Mendes lembrou que a União dispõe de Polícia Federal, Forças Armadas e recursos suficientes para enfrentar a questão. "Nós não produzimos cocaína, ela passa pelas fronteiras", criticou o ministro, que continuou: "Recursos para a construção de presídios são liberados e, em seguida, contingenciados. Há muitos problemas aqui", concluiu.

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