Luiz Horta/AE
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Glupt!

Meu dia de magnata

Luiz Horta,

11 Abril 2012 | 22h15

Todo mundo que já visitou as regiões vinícolas, especialmente uma lotada de propriedades impenetráveis e senhoriais como Bordeaux, passa pela frustração de não conseguir conhecer o profundo das caves. É aquela visita superficial, rápida, turística, com a van na porta esperando enquanto uma guia descreve em minutos uma história de séculos num passeio estilo Disneylândia. A visita dura 15 minutos, termina na lojinha e adeus, passar bem. O Grand Hotel de Bordeaux & Spa, um confortável cinco-estrelas recém-restaurado, situado bem no centro da cidade, com especialização no turista de vinhos, inventou o wine concierge, serviço de luxo para realmente abrir as pesadas portas dos châteaux a seus hóspedes.

O Paladar testou com exclusividade a eficiência da conciergerie: o repórter foi o primeiro brasileiro a fazê-lo. O estilo é de príncipe saudita, no gênero “bring me the bottle, uma magnum, please”. Meses antes, recebi o nome do meu wine concierge, monsieur Gregory Vacca, e começamos a trocar e-mails. Já que era um teste, pedi alto: Sauternes, alguns vinhos en primeur (Bordeaux está na campanha de apresentação da safra de 2011, prova de vinhos ainda na barrica) e algum encontro com um produtor. O wine concierge nem piscou, nem pigarreou. Em poucos dias mandou um programa prévio para minha aprovação que incluía uma visita a nada menos que o Yquem e o vizinho Guiraud, na mais famosa região de vinhos doces botritizados do mundo. O jogo começou assim.

São cinco wine concierges, todos clef d’or (aquela chave de ouro na lapela que denota o máximo da profissão). Monsieur Vacca, apesar do sobrenome, não foi nem um pouco bovino ou letárgico. Era escrever e receber resposta. Fui aumentando a pressão de propósito. “Quer visitar quais regiões, monsieur Horta?” “Quero encontrar com monsieur Prats no Cos d’Estournel, um dos meus vinhos favoritos. E bater papo com o simpático Jean-Guillaume Prats estaria de bom tamanho”, respondi, e ri, pensando: “Sai dessa, moço”.

 

No dia seguinte veio a resposta: “Almoço no château com ele estará bem para o senhor?” Mais um ponto, e eu vibrando no teclado. Nessa altura, já não conseguia evitar a taquicardia. Nada parecia fora de alcance para o wine concierge. “Algo mais?” Soltei as rédeas e pedi tudo de uma vez: Calon-Ségur, Pontet-Canet... E ele, “ok, agendados”. Mais: Mouton-Rothschild e Palmer, e um jantar no hotel com nosso chef-sommelier Jean-Michel Thomas no Le Pressoir d’Argent. A impressão é que se eu pedisse para beber um cálice de Pape Clément com o próprio papa ele arranjaria uma audiência em Roma.

Na manhã da minha chegada um motorista treinado, Olivier Daudier, com todas as respostas sobre vinhos e Bordeaux, estava na porta, de limusine. Fui ser magnata por algumas horas.

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