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Glupt! Numa aldeia irredutível

Irouléguy é uma denominação de origem francesa tão pequena, na fronteira com o País Basco espanhol, que o paralelo com Asterix é inescapável. Uma pequena aldeia de vinhateiros, com uvas estranhas e bons vinhos.

Luiz Horta,

16 de novembro de 2011 | 19h43

A fonte do rótulo das garrafas já diz sua origem. É a fonte basca, visível em todos os cartazes, placas e impressos da região, dos dois lados da fronteira. Letras baseadas em antiquíssimas inscrições tumulares perdidas no entardecer dos tempos (anterior à noite dos tempos) e na codificação do alfabeto por Sabino Arana.

Os tintos são da nossa conhecida Bordalesa Beltza, chamada aqui de Tannat. O Uruguai foi um dos grandes destinos para o êxodo basco nos séculos 19 e 20 (os Pisanos são Arretxea pelo lado materno e produzem um grande vinho com esse nome).

Os brancos são da dupla de Mansengs, a Petit e a Grand, e da Courbu, que também têm nomes locais: Izkiriota Ttipia, Izkiriota e Xuri Zerratia, respectivamente.

Deixando tais migalhas de conhecimento de lado, não foi nada fácil achar vinhos da região. Na verdade, mais esbarrei neles que os encontrei. Provei um Domaine Arretxea tinto, um Domaine Brana branco e o Herri Mina branco ao lado, que foi o destaque.

Conhecia o Herri Mina tinto, bebido com um extraordinário porco ibérico assado. Era, se não estou enganado, Tannat e Cabernet Franc.

A surpresa é saber que o proprietário do Domaine e enólogo é Jean-Claude Berrouet, nascido no vilarejo de Itxassou, bem no meio do Pays Basque, cujo trabalho anterior foi ser enólogo de um certo Château de Bordeaux, chamado... Pétrus.

O branco de Berrouet é um verdadeiro retrato das Mansengs, bem ácido, como são os vinhos da região, cheio de marmelo no aroma, com aquele traço arenoso da fruta (não me perguntem como se percebe uma arenosidade no aroma, não sei responder, mas sinto) e algo longínquo de casca de laranja, grapefruit e cravo. E a Courbu entra para dar corpo e algo de doçura.

***

Herri Mina

Blanc 2005

Cheiro de marmelos frescos e de marmelos cozidos com um toque de especiarias. Na boca é uma delícia, matador de sede, pede frutos do mar. Mineral, bem longo

Viagem engarrafada

Parada nº 41/100

Irouléguy, Aquitânia, França

Gros Manseng e Petit Manseng

Uvas brancas bem ácidas, capazes de evolução e excelentes com comida

Vinho de Quinta-Feira

Ah, Riesling austríaco, como você faz isso comigo? Se fosse mais barato, eu só beberia você e mais nada. Com esse aroma de pêssegos frescos, essa facilidade de ser amigo até de carne, essa acidez que mata a sede, como passar a língua numa navalha sem se cortar. A verdadeira pausa que refresca. Com um tartare de ostras no restaurante Arturito, o Loimer Terrassen Riesling Kamptaler Reserve 2009 (R$ 178, The Special Wineries, tel. 4306-6151) me deu a melhor combinação do ano. Ah, Riesling austríaco, chega mais perto, venha ser sul-americano! E merece elogios o garçom Paulo, que manteve o vinho impecavelmente na temperatura durante um jantar inteiro.

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