GLUPT - O ano do bon vivant

GLUPT - O ano do bon vivant

1 - Um dos meus melhores jantares no último ano foi no Arturito (tel. 3063-4951), no qual aconteceu o encontro do ceviche de ostras do restaurante com um Riesling austríaco Loimer. A refeição inteira foi perfeita, mas essa combinação foi marcante.

Luiz Horta - blog.estadao.com.br/luiz-horta,

04 Janeiro 2012 | 19h25

2 - Uma tarde inteira passada no amável Maripili (tel. 5181-4422). É um restaurante de esquina com comida espanhola. Na verdade, parece mais uma venda antiga de Buenos Aires que algo da Península Ibérica. Mas a comida é totalmente da Espanha, tortillas, callos, pão com tomate, gazpacho e favas à asturiana. O lugar é tão simpático, a comida tão boa, os vinhos com tão bom preço que dá para ir ficando, almoçar e emendar com o jantar.

3 - Prova de diversas versões dos jerezes Equipo Navazos, que serão assunto da coluna em breve. A degustação foi no Emiliano (tel. 3069-4369) e o destaque foi o ótimo serviço de vinhos do novo sommelier da casa, o habilidoso e gentil Gianni Tartari. É bom ter um profissional que sabe o que faz comandando algo tão confuso quanto o manuseio de uma dezena de garrafas.

4 - Reencontro com a carta de vinhos enciclopédica (e com o serviço eficiente, carnes impecáveis, cenário dramático da árvore impressionante) da Figueira Rubaiyat (tel. 3087-1399). Dois Riojas celebraram a descoberta de que o restaurante voltou ao ritmo antigo: o Capellania, branco da Marqués de Murrieta, e o vetusto La Rioja Alta Gran Reserva 904, 1998. Foi também a prova (como se eu precisasse de alguma) de que os Gran Reservas riojanos são dos vinhos mais extraordinários que existem. Vão voltar à moda. Nada é tão complexo.

5 - Beber os vinhos da mendocina Catena Zapata na sede piramidal da vinícola. E ter provado um novo Chardonnay, dos melhores sul-americanos que já bebi, Adrianna Vineyard, que ainda não se sabe se chegará ao mercado, pois don Nicolás Catena não deu o "beba-se" de aprovação. Aproveito o comentário e peço: engarrafem e vendam esse vinho!

6 - Um Chablis anônimo, com uns queijos igualmente sem nome, consumidos num piquenique no parque de Buttes Chaumont, em Paris. Tudo tinha rótulo e marca, mas a graça foi comprar no bairro, sem prestar atenção em produtor ou safra e confirmar que nem tudo na vida - como ser simples, relaxar, beber em copinho de geleia e ficar contente - é feito de etiquetas.

7 - Jantar feito pelo chef Benny Novak do Ici Bistrô (tel. 3257-4064) para harmonizar com uísques single malts. Só pratos britânicos, com destaque para a shepherd’s pie que foi um êxito e ele prometeu incluir no cardápio. A comida foi a prova de que uísques têm capacidade de acompanhar todos os pratos, inclusive sobremesas (Glenmorangie Casque d’Or, estagiado em velhas barricas de Sauternes) e queijos (os azuis com os defumados como o Talisker da ilha de Skye)

8 - A vertical de Quinta do Seival Castas Portuguesas, vinho produzido pela Miolo na região da Fortaleza do Seival, na campanha gaúcha. A prova aconteceu durante o Paladar - Cozinha do Brasil e mostrou ue vinhos brasileiros de qualidade evoluem fantasticamente na arrafa, têm possibilidade de guarda e não precisam ser caros para serem apreciados. Impressionou muitos céticos presentes.

9 - Descobrir, estranhar e, depois, amar os aromas e sabores defumados e marinhos dos uísques de Islay, em especial do Laphroaig, que se tornou meu destilado favorito, desde então. É o próprio gosto adquirido. Ninguém beberia, lendo só a descrição, algo com suas características. No entanto, é perfeito.

10 - Longo jantar com o sempre genial José Alberto Zuccardi, em Mendoza, com uma rodada das míticas empanadas de cebola que saem de sua cozinha. Depois, passar uma noite na Bodega O’Fournier, a 11 graus abaixo de zero, e acordar de frente para os Andes nevados, no Vale do Uco.

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