GM demite em São José e trabalhadores podem entrar em greve

Funcionários receberam telegramas no sábado e cortes podem passar de 200

Gerson Monteiro, São José dos Campos

09 Agosto 2015 | 16h18

O Dia dos Pais comemorado neste domingo foi amargo para muitos trabalhadores da General Motors de São José dos Campos, no Vale do Paraíba. A montadora começou a entregar no sábado (8) telegramas de dispensa aos trabalhadores. Hoje está previsto o retorno ao trabalho dos 798 funcionários que estão em lay-off desde 9 de março. Sindicalistas acreditam que os cortes passam de 200 pessoas.

Hoje, cerca de 250 pessoas estiveram no Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região para uma assembleia que reuniu parte dos demitidos.

Os metalúrgicos aprovaram o início de uma forte mobilização pela reversão das demissões, estabilidade no emprego e abertura de negociação entre Sindicato e GM.

Nesta segunda-feira (10) a entidade realiza assembleia na porta da fábrica com todos os mais de 5 mil trabalhadores da unidade e podem decretar greve.

Segundo o sindicato, a empresa garantiu a estabilidade dos empregos por três meses aos metalúrgicos que estavam com o contrato de trabalho suspenso. As demissões de sábado são de trabalhadores que não estavam em lay-off.

"Estamos perplexos com essa notícia na véspera do Dia dos Pais. É a segunda vez que a GM faz isso, já fez ano passado, nas festas de fim de ano, e agora novamente", comentou no sábado Antônio Ferreira de Barros, presidente do sindicato.

A montadora confirmou para a entidade as demissões sem informar quantos metalúrgicos foram atingidos pelo corte.

No telegrama aos trabalhadores, a empresa lamenta que "apesar das várias medidas adotadas pela empresa para superar a crise automobilística, inclusive com a adoção de lay-off, férias coletivas, entre outras medidas, o mercado não reagiu".

No fim de julho, o presidente da GM na América do Sul, Jaime Ardila, disse em entrevista que a unidade não é competitiva e por isso estaria fora do investimento de R$ 6,5 bilhões anunciado pela montadora até 2019.

Em nota, a GM confirmou as demissões e justificou que foram esgotadas 'todas as alternativas para evitar as demissões no Complexo Industrial de São José dos Campos" e que a expressiva redução da demanda no mercado brasileiro registra queda em torno de 30% nas vendas desde janeiro de 2014.

"Os desligamentos realizados têm como objetivo adequar o quadro da empresa à atual realidade do mercado, visando resgatar a competitividade e viabilidade do negócio", disse a nota.


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