Google cria metaverso e aposta na web 3D

Muito usada lá pelos idos de 2007, a palavra metaverso desapareceu dos jornais, da internet, dos blogs. A culpa é do conceito por trás de mundos virtuais como o Second Life, que propõem uma segunda vida sem ninguém precisar dela. Pois a palavra voltou a ser empregada na semana passada. A culpa dessa vez é do Google, que alterou exatamente o conceito por trás dos metaversos para lançar uma nova forma de interação, em 3D, pela internet. O serviço ganhou o nome de Lively.A principal diferença em relação a outros mundos virtuais é a natureza útil do Lively. Ele de fato serve para alguma coisa. Cada usuário constrói sua sala, sem ligação com as demais, e pode compartilhar no ambiente fotos, músicas e vídeos preferidos, textos de blogs, perfis em redes sociais e ainda conversar com os visitantes, como num MSN ou Gtalk da vida. O Google segue a filosofia de que o internauta quer se mostrar. Nada melhor, portanto, do que ter seu "quarto" na internet.O Lively funciona realmente na web. É preciso apenas baixar um plugin de 469 kilobytes (KB) em www.lively.com e instalar. Depois, os navegadores Internet Explorer e Firefox reconhecem o programa sozinho, o mesmo que ocorre com animações em Flash.Se o "peso" do software já é infinitamente menor que o exigido pelo Second Life, há outra característica que ilustra a diferença de conceito do Lively: ele pode ser embutido em sites e blogs, como ocorre com o Google Maps. Isso significa integração de conteúdos. No blog pessoal, por exemplo, o usuário pode "receber" as visitas em um ambiente 3D. Uma loja pode expor fotos de seus produtos num local mais amigável do que um site em duas dimensões. "É muito mais pungente receber um abraço de verdade do que ler os caracteres ‘s’ numa tela de chat", disse a gerente de engenharia do Google, Niniane Wang, no post de lançamento do Lively no blog da empresa.A idéia inicial é manter a ferramenta gratuita e sem publicidade. O Lively ainda está em fase beta, gíria para produtos ainda em teste – e, por isso, só tem páginas em inglês. Mas não está descartada, por exemplo, uma solução baseada nos links patrocinados do Google AdSense, a maior fonte de renda da gigante das buscas. Mais uma diferença para o Second Life: o Lively não foi feito para ganhar dinheiro.OUTRA PALAVRA ‘ANTIGA’Outro termo raro no mundo da internet após a decadência dos mundos virtuais, "avatar", foi reavivado pelo Google. É a representação virtual do usuário, um bonequinho com determinado rosto e roupas. No Lively, há poucas opções de aparência (que podem ser criadas por usuários) e de roupas, além de funções limitadas de modelagem de objetos.Os avatares são uma das fontes de críticas. Só é possível movimentá-los com o mouse; as setas do teclado não servem para nada na tela do Lively, um recurso típico de games que aumentaria a usabilidade do programa. Outro problema é o tamanho limitado para upload de músicas para as salas, só de 512 KB. Quase nenhum arquivo em formato MP3 é pequeno assim.Apesar da necessidade de ajustes pontuais, o Lively tem o mérito de inaugurar ou pelo menos olhar de forma diferente para a web em 3D. É o mundo dentro das telas ficando cada vez mais parecido com o "nosso".

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