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Governadores em baixa

Pesquisa mostra que dos 26 mandatários estaduais, 16 têm avaliação negativa nas principais cidades

José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2016 | 05h00

Muito mais do que os prefeitos, quem perdeu cacife nas eleições das capitais estaduais foram os governadores. Dos 26, nada menos do que 16 têm avaliação negativa nas principais cidades dos Estados que governam, segundo as mais recentes pesquisas do Ibope. Na média, os governadores têm 34% de ruim/péssimo, contra apenas 24% de ótimo/bom. Ou seja, saldo negativo de 10 pontos.

É uma situação oposta à de 2012. Por essa mesma época da campanha na eleição municipal passada, o saldo médio de popularidade dos governadores nas capitais era 20 pontos positivo: 41% de ótimo/bom versus 21% de ruim/péssimo. A variação foi de 30 pontos em quatro anos, e no sentido errado. 

Em 2012, só seis governadores eram impopulares nas capitais, enquanto 18 tinham saldo positivo em 10 pontos ou mais. Eram queridos o bastante para subir em palanques, aparecer na propaganda eleitoral, fazer carreatas. Desta vez, a maioria deve se concentrar no apoio político e financeiro aos apadrinhados.

Os governadores mais mal-avaliados nas suas capitais são: Suely Campos (PP - Roraima), com 62 pontos negativos em Boa Vista; Waldez Góes (PDT - Amapá), com 57 pontos negativos em Macapá; Marcelo Miranda (PMDB - Tocantins), com 46 pontos negativos em Palmas; José Ivo Sartori (PMDB - Rio Grande do Sul), com 43 pontos negativos em Porto Alegre; e Francisco Dornelles (PP - Rio de Janeiro), com 41 pontos negativos entre os cariocas.

Outros sete governadores têm saldo ao menos 10 pontos negativos nas capitais de seus Estados. Do maior ao menor déficit: José Melo de Oliveira (PROS) em Manaus, Beto Richa (PSDB) em Curitiba, Simão Jatene (PSDB) em Belém, Jackson Barreto (PMDB) em Aracaju, Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo, Marconi Perillo (PSDB) em Goiânia e Paulo Câmara (PSB) no Recife.

Pode-se creditar essa perda de prestígio popular dos governadores às crises política e econômica. Mas, se fosse só isso, o desgaste se repetiria com a mesma intensidade entre os prefeitos das capitais. Aconteceu, mas em escala bem menor. 

Na média, os prefeitos das capitais estaduais têm cinco pontos a menos de ótimo/bom do que há quatro anos, comparando-se apenas pesquisas do Ibope feitas na mesma época em 2012 e 2016. De lá para cá, os 34% de avaliações positivas viraram 29%, sempre na média. E os 32% de ruim/péssimo viraram 31%. O saldo, portanto, oscilou apenas 3 pontos, enquanto o dos governadores variou 30. A diferença de dez vezes deve ter outra explicação.

Saúde e segurança são os problemas municipais mais frequentemente apontados pelos eleitores das capitais. São áreas com obrigações compartilhadas por prefeitos e governadores. A crise na Brigada Militar gaúcha, por exemplo, poderia resultar na impopularidade do governador Sartori em Porto Alegre, por causa do aumento da criminalidade. Mas isso não explica os casos das cidades onde os governadores ainda são populares.

Outra hipótese é que como há mais governadores em segundo mandato do que prefeitos de capitais que não podem concorrer à reeleição, o desgaste de estar há muito tempo no poder poderia ser a causa do maior desprestígio do poder estadual entre os eleitores. 

A explicação caberia, por exemplo, em São Paulo, Paraná, Goiás, Pará e Rio de Janeiro, onde o mesmo partido ou grupo político governa há seis anos ou mais. Mas não vale para a Paraíba, cujo governador Ricardo Coutinho (PSB) é justamente o mais popular entre todos os seus pares em uma capital. Ele tem 61% de ótimo/bom em João Pessoa e está no segundo mandato.

Como em toda disputa eleitoral, nada influencia mais a municipal do que a popularidade de quem busca reeleger-se ou fazer seu sucessor. Com governadores e o presidente da República em baixa na opinião pública, mais do que nunca os atuais prefeitos são os protagonistas da eleição de 2016 - para o bem e para o mal.

 

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