Governo adia leilão do TAV para 'ampliar oportunidades'

A decisão de adiar o leilão de concessão do trem-bala entre Campinas e Rio de Janeiro para abril de 2011 foi tomada com o objetivo de "ampliar as oportunidades, ter um processo competitivo e ter uma participação mais forte do mercado e das opções tecnológicas".

REUTERS

26 de novembro de 2010 | 18h22

Segundo o diretor-geral da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), Bernardo Figueiredo, os prazos concedidos no processo eram adequados e não havia problemas no edital que justificassem o adiamento.

A entrega das propostas foi adiada da próxima segunda-feira para 11 de abril e o leilão, que ocorreria em 16 de dezembro, passou para 29 de abril de 2011.

O diretor explicou em coletiva de imprensa nesta sexta-feira que, embora alguns interessados tenham afirmado que não fariam parte do processo mesmo se houvesse adiamento, outros garantiram que participariam do leilão se houvesse a prorrogação.

"Nós temos pelo menos quatro grupos empresariais diferentes que confirmaram que vão participar do processo de licitação", disse Figueiredo. O número de grupos, entretanto, pode ser alterado porque pode haver uma fusão dos interessados.

Ele não especificou quais seriam essas empresas, mas falou de algumas tecnologias utilizadas pelos interessados. "Nós temos a tecnologia Bombardier, que fabrica o Trem de Alta Velocidade na Espanha, a Alston, a Siemens, a tecnologia japonesa, a coreana e a chinesa."

Os quatro grupos, de acordo com o diretor-geral da ANTT, não inclui o grupo coreano que nesta sexta-feira havia confirmado que entregaria a proposta para o TAV na próxima semana. "Imagino que o grupo (coreano) não tenha ficado muito feliz com essa decisão."

O grupo, chamado de TAV Brasil, formado por cerca de 20 empresas e integrado por gigantes sul-coreanas como a Hyundai Heavy e Samsung SDS, e empresas brasileiras como CR Almeida e Constran, afirmou em comunicado que "está pronto para participar do leilão" e que "já possui as garantias bancárias exigidas no edital, para participar do leilão".

Figueiredo afirmou ainda que não haverá alterações nas condições do projeto, mas é possível que haja um "ajuste de esclarecimento do edital".

Além disso, a previsão para o início das obras não deverá ser alterada, e o diretor-geral da ANTT espera que até o final do próximo ano o projeto do TAV já tenha licença prévia.

Ele disse ainda que nesta semana teve um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a presidente eleita, Dilma Rousseff. "O Lula não tinha vaidade de fazer o leilão no governo dele, e quer que o processo seja competitivo."

O projeto do trem-bala está orçado em 33,1 bilhões de reais e os interessados em participar têm que depositar garantia de 340 milhões de reais para apresentarem suas propostas.

O leilão de concessão do trem-bala brasileiro é o maior já realizado na história do país, superando os 19 bilhões de reais da megausina hidrelétrica de Belo Monte, a terceira maior do mundo em capacidade de geração, cujo leilão ocorreu em 20 de abril.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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